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SAÚDE

Senolíticos: a chave para o fim do envelhecimento?

Testes apontam que a substância promove a destruição das células senescentes ou disfuncionais, que aceleram o processo de envelhecimento

Senolíticos: a chave para o fim do envelhecimento?
Maior preocupação dos pesquisadores é estudar formas de envelhecer de forma saudável (Foto: MASTER1305)

Os estudos sobre o prolongamento da vida exercem um fascínio mórbido em algumas pessoas e trazem à mente a imagem de bilionários, que usam a técnica do congelamento criogênico para ressuscitar no futuro com o vigor e a saúde da mocidade.

Mas testes com medicamentos senolíticos em camundongos mostraram que é possível prolongar uma vida saudável e melhorar os sintomas de doenças decorrentes de uma idade mais avançada, como artrose e degeneração macular.

A maioria dos cientistas que estuda o tema da longevidade preocupa-se mais em prolongar uma vida saudável, ou seja, dar às pessoas meios de envelhecer com uma qualidade melhor de vida. Uma preocupação que se estende não só ao campo da medicina, como também à economia diante de uma crescente expectativa de vida das pessoas.

Na Inglaterra e no País de Gales, a expectativa de vida aumentou 25 anos no século passado. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, nos próximos 50 anos o Reino Unido terá uma população de 8,6 milhões de pessoas com mais de 65 anos. Atualmente, o custo do tratamento de pessoas com 85 anos é cinco vezes superior ao de adultos com 30 e poucos anos.   

“O envelhecimento é o maior fator de risco para o desenvolvimento da maioria das doenças crônicas”, disse Ming Xu, professor assistente do Centre on Ageing da Universidade de Connecticut.

Xu e seus colegas do Centre on Ageing estão estudando os efeitos dos medicamentos senolíticos, que promovem a destruição das células senescentes ou disfuncionais, que aceleram o processo de envelhecimento.

Xu participou, em 2011, do experimento realizado em camundongos prematuros na Mayo Clinic, no qual os pesquisadores mostraram que uma modificação no DNA para eliminar as células senescentes melhorara a saúde e prolongara a vida das cobaias.

Em 2016, o mesmo grupo obteve resultados semelhantes em dois camundongos idosos nascidos na mesma ninhada. Após a destruição das células senescentes, um deles rejuvenesceu e ficou com o pelo brilhante e sedoso.

A foto dos dois camundongos, um mais jovem e o outro com o aspecto de sua idade biológica, atraiu investidores, como Jeff Bezos e o cofundador do PayPal, Peter Thiel, interessados em desenvolver experimentos semelhantes em seres humanos.

No entanto, a modificação genética usada para destruir células senescentes em camundongos não poderia ser aplicada em seres humanos. Assim, uma equipe de pesquisadores da empresa Unity Biotech começou a estudar a criação de medicamentos para eliminar células senescentes do corpo humano.

Os testes com os medicamentos senolíticos criados por esse grupo de pesquisadores foram feitos em camundongos com degeneração macular relacionada à idade, glaucoma e doenças pulmonares crônicas, como enfisema. Os testes também foram feitos com tecido epitelial de seres humanos em placas de Petri.  

Este ano, em um experimento pré-clínico, pesquisadores injetaram um medicamento senolítico à base de desatinibe, uma substância usada no tratamento da leucemia, e quercetina, um antioxidante encontrado em alguns alimentos, nos joelhos de pessoas com artrose, com resultados promissores.

Xu disse que, pelo menos em teoria, o organismo não irá criar resistência aos medicamentos senolíticos, porque eles impedem a proliferação das células senescentes. Além disso, o tratamento não precisará ser diário, portanto, não sobrecarregará o organismo com substâncias que podem causar reações.

Mas, apesar dos experimentos promissores e das pesquisas, segundo Xu os medicamentos senolíticos só serão lançados no mercado daqui a cinco anos ou mais. Enquanto isso, exercícios físicos, controle do peso e uma alimentação saudável com pouco consumo de carne são apostas para uma melhor qualidade de vida. 

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1 Opinião

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    Que venham os senolíticos já!

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