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Uma leve pitada de sal

Apesar dos alertas das autoridades de saúde, estudo mostra que doenças cardíacas podem não estar ligadas ao consumo de sal

Uma leve pitada de sal
Os norte-americanos ingerem, em média, 3,400 mg de sal por dia (Fonte: Economist)

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O sal faz mal. É uma simples mensagem que autoridades norte-americanas tentam, diversas vezes, ensinar aos seus habitantes. Os norte-americanos possuem, notavelmente, péssimos hábitos alimentares. Nutricionistas recomendam que os negros e pessoas com mais de 50 anos consumam menos de 1,500 mg de sódio por dia; todos os demais devem consumir menos de 2,300 mg. Os norte-americanos ingerem, na média diária, 3,400 mg. As autoridades continuam alertando que estes hábitos levam ao desenvolvimento da hipertensão e doenças do coração.

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Bélgica, República Checa, Itália, Holanda, Polônia e Rússia, e publicado no Jornal da Associação Médica Americana, sugeriu, no entanto, que as dietas pobres em sódio podem não ser tão saudáveis quanto se imagina. A equipe, liderada por Jan Staessen, da Universidade de Leuven, na Bélgica, examinou 3.681 europeus de meia idade que começaram a estudar sem doenças do coração. Após seguir estes voluntários por aproximadamente oito anos, os pesquisadores chegaram a uma chocante conclusão. Aqueles que comiam menos sal estavam mais propensos a morrer de doenças do coração. Já os que consumiam mais sódio, não estavam mais propensos a desenvolver hipertensão.

O artigo provocou uma rápida resposta. Um oficial do Centro Americano de Controle e Prevenção de Doenças rebateu o artigo em uma entrevista ao The New York Times. O tamanho da amostra era muito pequeno, argumentou. Lembrou também que os participantes eram muito jovens, e as evidências de doenças cardíacas não seguiam um padrão. O departamento de Saúde Pública da Escola de Harvard também desconsiderou o artigo. “As conclusões do estudo certamente estão erradas”, declarou, acrescentando que vários estudos já demonstraram uma relação clara e direta entre o alto consumo de sal e os riscos de doenças cardíacas.

O novo estudo reconhece suas próprias limitações, incluindo a pequena parcela da população estudada e a possibilidade de que os norte-americanos negros sejam mais sensíveis ao sódio do que os europeus. Em nenhum lugar os autores do estudo contestaram que os pacientes hipertensos deveriam comer menos sódio, mas eles apenas argumentaram que os esforços para reduzir o sódio estão equivocados.

As autoridades de saúde podem denunciar o artigo o quanto desejarem, os amantes de sal, entretanto, aproveitarão a oportunidade para devorar outro pacote de batatas fritas, enquanto uma outra conclusão não chega às bancas.

Fontes:
Economist - Take it with a pinch of salt

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