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Universidade dos EUA é alvo de críticas após registrar 3 suicídios em um semestre

Suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens no mundo. Universidade é acusada de negligenciar a saúde mental dos alunos

Universidade dos EUA é alvo de críticas após registrar 3 suicídios em um semestre
Uma nova discussão pública deve ocorrer nesta segunda-feira, 9, à noite (Foto: Rowan University/Facebook)

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A Universidade de Rowan, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, registrou três casos suicídios apenas no semestre atual. O alto número levou a instituição a anunciar algumas medidas com ênfase no bem-estar dos alunos. O texto, porém, foi alvo de diferentes críticas por parte da opinião pública.

O comunicado da universidade foi divulgado na última sexta-feira, 6, um dia após estudantes e funcionários se reunirem para abordar questões relativas à saúde mental no campus estudantil. Uma nova discussão pública deve ocorrer nesta segunda-feira, 9, à noite.

De acordo com o comunicado, a Universidade de Rowan conta com um centro de bem-estar disponível aos alunos 24 horas por dia durante todos os dias da semana. Ademais, a instituição explicou que conta com 15 conselheiros para lidar com seus cerca de 19.600 alunos – o que mantém a universidade no alto nível de padrão nacional de um conselheiro para cada 1.000 a 1.500 estudantes.

Além disso, a Universidade de Rowan anunciou que já está concluindo a pesquisa para a contratação de mais três conselheiros, elevando o número total para 18, que devem começar a atuar no começo do próximo semestre. Ademais, o trabalho feito pelo centro de bem-estar também teria sido capaz de eliminar a lista de espera, um problema enfrentado por alunos em anos anteriores.

A nota da universidade foi assinada pelo presidente instituição, Ali Houshmand, que orientou ainda que preocupações e novas sugestões para o aprimoramento do trabalho de saúde mental na instituição sejam enviadas para um e-mail da universidade. O comunicado também destacou o número de telefone para o qual seus alunos podem telefonar para pedir ajuda.

“Como presidente, estou decidido a fazer todo o possível para servir nossa comunidade universitária, especialmente em tempos de crise. Como pai, sinto compaixão por cada pessoa que luta. Imploro aos que precisam de ajuda para pedir e para que todos falem e ajam com bondade à medida que avançamos neste momento difícil e além”, concluiu Houshmand.

No entanto, ao divulgar o texto nas redes sociais, centenas de críticas de pessoas que se identificaram como alunos ou ex-alunos da Universidade de Rowan, além de familiares e ex-funcionários, vieram à tona. Enquanto alguns estudantes elogiavam as medidas da instituição, outros desmentiam iniciativas e dados da universidade.

A principal crítica de ex-alunos era sobre a eliminação da lista de espera do centro de bem-estar. Muitos ex-estudantes da universidade narraram que esperaram meses até serem atendidos pelos profissionais do centro – quando eram atendidos -, enquanto outros indicavam o descaso dos conselheiros, que praticamente os expulsavam do local, afirmando que não poderiam ajudar.

Outras críticas questionavam a demora da universidade para agir e tentar melhorar os serviços de saúde mental da instituição. “Por que isso não foi importante para a universidade depois da primeira vez [primeiro suicídio]?”, questionou um ex-aluno.

Já uma ex-aluna e ex-professora da universidade questionou se algum tipo de suporte também está sendo dado aos integrantes do corpo docente da instituição. “Ficamos muito próximos de alguns de nossos alunos. Eles se tornam como nossos próprios filhos. Às vezes, vemos coisas e queremos chamar a atenção de outras pessoas, mas não temos suporte ou somos informados de que não podemos fazer nada”, escreveu.

Diante dos recentes suicídios na Universidade de Rowan, um abaixo-assinado online foi lançado para exigir maior atenção à saúde mental na instituição. O objetivo da iniciativa é pressionar a universidade para expandir o centro de bem-estar e contratar um número maior de conselheiros, prestando mais suportes aos estudantes em necessidade.

Segundo dados da organização Vozes de Conscientização Sobre Suicídio (Save, em inglês), o suicídio é a segunda maior causa de mortes do mundo para pessoas entre 15 e 24 anos de idade – faixa etária que engloba estudantes do ensino médio e universitários. De acordo com informações do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, em inglês), 12,7 em 100 mil jovens cometem suicídio anualmente nos Estados Unidos.

Em termos globais, segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no último mês de setembro, uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos. Estima-se que cerca de 800 mil pessoas tirem a própria vida todos os anos. De acordo com a OMS, o suicídio é a segunda maior causa de morte entre jovens entre 15 e 29 anos, ficando atrás apenas de mortes em acidentes de carros.

Um dos principais órgãos responsáveis pela prevenção ao suicídio em todo o Brasil é o Centro de Valorização da Vida (CVV). A entidade conta com trabalhadores voluntários que estão dispostos a ouvir e prestar apoio emocional para quem ligar. O centro funciona através do número 188 e todas as ligações são gratuitas e sigilosas. Ademais, a entidade também atende através de chat online, e-mail e em alguns postos presenciais.

Leia mais: Dados reforçam necessidade de prevenção ao suicídio

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