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TECNOLOGIA

A influência da China no mercado de tecnologia

Relatório do FMI mostrou que os EUA retomaram os investimentos em projetos de inovação tecnológica depois de concorrência da China

A influência da China no mercado de tecnologia
Dados indicam que a concorrência com a China estimulou os projetos de inovação e tecnologia nos EUA (Foto: Pixabay)

A opinião pública acha que o livre comércio com a China causou a perda de empregos no setor industrial nos EUA e na Europa. Os políticos acreditam também que a ascensão econômica da China prejudica a inovação no Ocidente. Essa influência da China é um dos poucos temas de consenso entre os políticos democratas e republicanos americanos. Em 2016, o secretário de Comércio de Barack Obama alertou que a economia estatal da China iria enfraquecer o ecossistema da inovação mundial.

Os conselheiros de Donald Trump alegam que a China dificulta o investimento em inovação das empresas estrangeiras ao reduzir seus retornos. Em visita a Pequim em 3 e 4 de maio para discutir tarifas comerciais, membros do governo dos EUA e autoridades chinesas abordaram esse assunto. Mas os dados indicam que a concorrência com a China estimulou os projetos de inovação e tecnologia nos EUA.

A relação entre competição e inovação é complexa. Os economistas concordam que um cenário competitivo incentiva a inovação. Porém, também mostram os pontos positivos e negativos de um contexto competitivo. Uma concorrência maior pode motivar as empresas a desenvolverem novos produtos, a fim de aumentar a participação no mercado. Por outro lado, um ambiente excessivamente competitivo tende a diminuir os lucros e a desestimular as empresas a correrem riscos.

O investimento pesado que a China faz no desenvolvimento de novos setores da economia reduz as margens de lucros de empresas concorrentes, como no excesso da capacidade de produção do aço. Ao mesmo tempo, disse Robert Lighthizer, representante do Comércio dos EUA, as empresas estrangeiras mais inovadoras muitas vezes são pressionadas a transferir sua propriedade intelectual para concorrentes chinesas.

Segundo os economistas que estudam o desempenho de empresas europeias, a concorrência das importações chinesas motivou um progresso tecnológico na União Europeia. Os estudos realizados indicaram que o crescimento das importações da China foi responsável por 15% do aumento dos projetos de inovação e modernização tecnológica dos países europeus entre 2000 e 2007.

Mas os economistas que examinaram o impacto das importações chinesas nos Estados Unidos revelaram que, ao contrário da Europa, diante de uma postura mais agressiva da China e da redução dos lucros as empresas investiram menos em pesquisas. Eles atribuíram à concorrência chinesa a queda de 40% dos registros de patentes nos EUA entre 1999 e 2007, em comparação com a década anterior.

Porém, dados mais recentes do FMI indicaram uma retomada dos projetos de inovação tecnológica nos EUA. Em um relatório publicado em abril, o FMI mostrou que, após um período prolongado de declínio, o registro de patentes teve um aumento acentuado de 2010 a 2014. O relatório também indicou um grande aumento nos gastos em P&D no mesmo período, apesar do enorme déficit comercial com a China.

O aumento do registro de patentes foi mais lento na Europa e no Japão. Já na Coreia do Sul, o país mais exposto à concorrência de produtos da China, os gastos com pesquisas cresceram, o que explica os aspectos negativos, mas muitas vezes positivos, de um mercado competitivo.

 

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Fontes:
The Economist-Fears that China has hurt innovation in the West are overblown

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