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TECNOLOGIA

São Francisco proíbe o reconhecimento facial

São Francisco se tornou a primeira cidade dos Estados Unidos a proibir o uso do reconhecimento facial. Polícia e indústria da tecnologia defendiam o uso

São Francisco proíbe o reconhecimento facial
Os críticos da tecnologia temem que as pessoas um dia não possam ir a um parque sem serem monitoradas (Foto: Eden, Janine and Jim/Flickr)

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São Francisco se tornou a primeira cidade dos Estados Unidos a proibir o uso de reconhecimento facial pela polícia e outras agências da cidade. A medida foi aprovada na última quarta-feira, 15.

O movimento de São Francisco reflete uma reação crescente contra uma tecnologia que está se infiltrando nos aeroportos, departamentos de veículos, lojas, estádios e câmeras de segurança em casa.

Agências governamentais em todo o país usaram a tecnologia por mais de uma década para escanear bancos de dados em busca de suspeitos e evitar fraudes de identidade. Mas os recentes avanços na inteligência artificial criaram ferramentas de visão computacional mais sofisticadas, tornando mais fácil para a polícia identificar uma criança ou manifestante desaparecido em uma multidão ou para os varejistas analisarem as expressões faciais de um comprador enquanto examinam as prateleiras das lojas.

Esforços para restringir seu uso estão sendo combatidos por grupos policiais e pela indústria de tecnologia, embora esteja longe de ser uma frente unida. A Microsoft, ao mesmo tempo em que se opunha a uma proibição, pedia aos parlamentares que estabelecessem limites para a tecnologia, alertando que o descontrole poderia permitir uma distopia opressiva que lembra o romance de George Orwell “1984”.

“O reconhecimento facial é uma daquelas tecnologias que as pessoas entendem como é assustadora”, disse Álvaro Bedoya, diretor do Centro de Privacidade e Tecnologia da Universidade Georgetown. “Não é como cookies em um navegador. Há algo nessa tecnologia que realmente põe os cabelos das pessoas de pé”.

Os críticos da tecnologia temem que as pessoas um dia não possam ir a um parque, loja ou escola sem serem identificadas e monitoradas. Um punhado de grandes lojas nos Estados Unidos está testando câmeras com reconhecimento facial que podem adivinhar a idade, o gênero ou o humor de seus clientes enquanto passam por eles, com o objetivo de exibir anúncios direcionados e em tempo real na loja em telas de vídeo.

Com a adoção da proibição por São Francisco, outras cidades, estados ou até mesmo o Congresso Nacional podem seguir a iniciativa, com legisladores de ambos os partidos querendo restringir a vigilância do governo, enquanto outros desejam restringir a forma como as empresas analisam os rostos, emoções e idiotices de um público desavisado.

A Legislatura da Califórnia está considerando uma proposta que proíbe o uso da tecnologia de identificação facial em câmeras corporais. Um projeto de lei bipartidário no Senado dos EUA isentaria os pedidos da polícia, mas estabeleceria limites para as empresas que analisassem os rostos das pessoas sem o seu consentimento. Uma legislação semelhante à de São Francisco está pendente em Oakland, na Califórnia, e outra proposta de proibição foi introduzida em Somerville, Massachusetts.

Bedoya disse que uma proibição em São Francisco, a “cidade tecnologicamente mais avançada de nosso país”, envia um alerta para outros departamentos de polícia que pensassem em experimentar a tecnologia imperfeita. Mas Daniel Castro, vice-presidente da Fundação de Tecnologia da Informação e Inovação, apoiada pela indústria, disse que a portaria é muito radical para servir de modelo.

A polícia de São Francisco disse que parou de testar o reconhecimento facial em 2017. Críticos locais da legislação de São Francisco, no entanto, se preocupam em não dificultar as investigações policiais em uma cidade com um grande número de invasões de veículos e vários desfiles anuais de alto nível.

Legisladores também buscaram uma moratória de reconhecimento de face este ano em Washington, o estado natal da Microsoft e da Amazon, mas não tiveram êxito. Em vez disso, a Microsoft apoiou uma proposta mais leve, como parte de uma lei mais ampla sobre privacidade de dados, mas as deliberações foram adiadas.

Leia também: Os riscos da tecnologia de reconhecimento facial

Fontes:
The Guardian-San Francisco is first US city to ban police use of facial recognition tech
Time-San Francisco Could Become the First U.S. City to Ban the Use of Facial Recognition Technology

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