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A Microsoft e a privacidade

Vale a pena brigar e discutir por dados do comportamento online das pessoas

A Microsoft e a privacidade
Microsoft anunciou que Windows 8 terá a opção NM automaticamente configurada (Reprodução/Internet)

Um antigo provérbio reza que metade de tudo que é gasto em propaganda é desperdiçado – o problema é que ninguém sabe qual das metades. Na era da internet, ao menos em teoria, esta parcela pode ser bastante reduzida. Ao observar o que as pessoas procuram, onde clicam e o que dizem na internet, as empresas podem dirigir propagandas “comportamentais” àqueles com mais propensão de comprar o produto anunciado.

Mas os anunciantes podem presumir que as pessoas estão satisfeitas em serem monitoradas e receber em anúncios comportamentais. Ou elas devem pedir permissão? Muitas pessoas não gastam um segundo pensando na possibilidade de estarem sendo monitoradas, mas algumas opõe-se furiosamente.

Em dezembro de 2010, a Federal Trade Comission norte-americana propôs a adição de uma opção “não monitore” (NM) aos navegadores de internet, de modo que os usuários poderiam avisar aos anunciantes que eles não queriam ser observados. O Firefox da Mozilla, o Internet Explorer da Microsoft e o Safari da Apple oferecem uma opção NM; o Chrome do Google fará o mesmo ainda neste ano. Em fevereiro, a FTC e a Digital Advertising Alliance (DAA), um consórcio de organizações do meio publicitário, concordaram que o setor seria ágil em responder aos avisos NM. Na União Europeia, uma nova regra requer que os sites perguntem antes de usar “cookies” para coletar dados a respeito do comportamento dos usuários.

Em 31 de maio, a Microsoft deu ignição ao entrevero. A empresa afirmou que o Internet Explorer 10, a versão que deve ser lançada com o Windows 8, viria com a opção NM automaticamente configurada.

Os anunciantes estão horrorizados. É parte da natureza humana não fazer alterações de configuração. Poucas pessoas ativam o NM hoje em dia, mas caso ele já venha ativado, assim permanecerá. Bob Liodice, o executivo chefe da Association of National Advertisers, um dos grupos da DDA, diz que os consumidores estarão em uma situação pior caso os anunciantes não possam coletar informações a respeito de suas preferências. As pessoas não serão expostas a menos anúncios, ele diz. “Elas serão expostas a anúncios menos significativos, menos ajustados”.

Ainda não está claro como será a resposta dos anunciantes. Um aviso de NM não obriga todos os sites a não monitorarem seus usuários, embora algumas empresas (incluindo o Twitter) tenham prometido interromper o monitoramento. Incapazes de distinguir se a pessoa realmente se opõe aos anúncios comportamentais ou se elas estão apenas se atendo às configurações iniciais, algumas empresas podem vir a ignorar o aviso NM e continuar a monitorar mesmo assim.

Também não está claro porque a Microsoft decidiu fazer isso sozinha. Afinal de contas, a empresa também tem uma área de anúncios, a qual a empresa diz que respeitará os avisos NM. Se a empresa está tentando irritar o Google, que depende quase inteiramente de anúncios, escolheu um modo indireto de fazê-lo: não há garantia que o aviso NM estará presente como configuração inicial em outros navegadores. Brendon Lynch, executivo chefe de privacidade da Microsoft, postou em seu blog: “Acreditamos que os consumidores deveriam ter mais controle”. Será que poderia ser assim tão simples?

Fontes:
The Economist - Change of track

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