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Crowdfunding: uma multidão de possibilidades

Novo modelo de negócios na internet abre portas para o financiamento de projetos colaborativos. Por Camila Leporace

Crowdfunding: uma multidão de possibilidades
Em crowdfunding, um grupo de pessoas contribui financeiramente para que um projeto aconteça

“Here Comes Everybody – How Change Happens When People Come Together” – que numa tradução livre seria algo como “Aí vem todo mundo – Como a transformação acontece quando as pessoas se unem” é o nome de um livro de Clay Shirky, pesquisador e consultor norte-americano especializado nos efeitos sociais e impactos econômicos da internet. É um título carregado de significado. E tem tudo a ver com um modelo de negócios que está crescendo e que, se você ainda não conhece, certamente vai conhecer: o crowdfunding.

O nome é bastante autoexplicativo – crowd (multidão) + funding (financiamento). O formato se baseia exatamente nisso: um grupo de pessoas se une e contribui financeiramente para que um projeto aconteça. E são recompensadas, de acordo com a contribuição que deram. O financiamento acontece através de sites em que os projetos são apresentados, as causas são defendidas e o público pode selecionar o que deseja apoiar e com qual quantia em dinheiro.

“Acho que o grande trunfo desse modelo de negócios é que as plataformas e as ferramentas que as cercam — mídias sociais — possibilitam uma maior independência para que cada pessoa ou grupo lidere a sua causa e a faça acontecer e se expandir sem a necessidade de um intermediário, uma instituição ou pessoa colocar dinheiro”, comenta Diego Reeberg, um dos criadores do Catarse, site brasileiro de crowdfunding. O pioneiro nesse cenário foi o norte-americano Kickstarter, que abriga projetos de arte, música, dança, fotografia, entre outros. No Brasil, além do Catarse existem já vários outros, como o Incentivador, o Benfeitoria e o Queremos.

Essa independência aos produtores de conteúdo, possibilitando-os materializar projetos e ideias, está relacionada à mudança no lugar ocupado pelos consumidores de conteúdo. Hoje, quem consome também produz – ou ao menos tem mais poder de decisão sobre aquilo que quer consumir. O cantor e compositor Leoni conta em seu livro “Manual de Sobrevivência no Mundo Digital” como passou a trabalhar de uma forma diferente e mais próxima de seu público, diante das principais mudanças observadas no mundo da música e que trouxeram novas necessidades.

“Conheci uma indústria que era a única porta de entrada para o sucesso na música. Ela controlava a escolha, a produção e a distribuição de tudo o que chegava ao público. Ter um contrato com uma gravadora era o grande objetivo de qualquer um para seguir uma carreira no showbiz”, explica. Leoni se comunica com fãs em seu site e através das redes sociais, como o Twitter. Fala sobre os trabalhos que está realizando, pede a opinião dos fãs e os envolve em suas criações e projetos musicais.

Mais possibilidades, mas também muita dedicação

A nova era da Web 2.0, baseada na colaboração, abre novas portas para o artista em busca de reconhecimento e divulgação de seu trabalho. Porém, isso não torna as coisas menos trabalhosas. Para conseguir uma rede de colaboradores, é preciso dedicar-se continuamente a isso. Submeter um projeto a um site de crowdfunding exige também uma produção de conteúdo específica: é necessário fazer um vídeo, escrever textos e outros materiais que apresentem a ideia para as pessoas.

Há ainda obstáculos encontrados pelo modelo de crowdfunding em si. Um deles está associado à confiança do consumidor. Como qualquer novo modelo de negócio, é preciso um tempo para que as pessoas se acostumem e se sintam à vontade com ele. Aqui no Brasil, a insegurança, segundo Reeberg, pode estar associada ao ato de se fazer um pagamento pela internet, ao fato de o modelo de crowdfunding ser ainda pouco conhecido ou não compreendido totalmente, ou à qualidade do projeto em si – o que é normal, pois tem a ver com o senso crítico e o gosto de cada um.

“Tivemos alguns casos de pessoas que apoiaram um projeto e não entenderam que só receberiam a recompensa caso o projeto tenha sido bem-sucedido – o que não deve ter deixado elas contentes com o modelo”, conta Diego. No Catarse, se a quantia esperada não é atingida após o prazo estipulado, todos recebem seu dinheiro de volta e não ganham a recompensa determinada, afinal ela teria a ver justamente com o sucesso da empreitada. “O que fazemos é tentar deixar isso claro no site. É também por isso que criamos o Google Groups CrowdfundingBR, onde já tem 300 pessoas discutindo e disseminando o assunto no Brasil”, conta.

A Banda Mais Bonita da Cidade – grupo musical que vem fazendo sucesso desde que seu clipe “Oração” estourou  na internet há dias — inscreveu um projeto no Catarse de uma forma diferente: quem quiser contribuir pode escolher uma música de que goste para ajudar a financiar sua presença no CD a ser gravado por eles. “A banda já vinha trabalhando de forma coletiva desde sua fundação – o repertório contém inúmeros compositores, os vídeos foram feitos entre amigos. Então, a nossa prioridade no momento é manter o foco nas coisas e viabilizar este primeiro disco”, diz Uyara Torrente, vocalista do grupo. “A gente espera que essa seja uma experiência mais que positiva para o público também”.

Os números mostram que o crowdfunding é um modelo promissor. Em dois anos, o Kickstarter levantou 40 milhões de dólares para projetos criativos, segundo o site Global Voices.com (http://globalvoicesonline.org/2011/05/24/brazil-crowdfunding-potential/) – que comenta sobre o potencial do Brasil para o crowdfunding. Diego Reeberg enxerga grandes possibilidades para o modelo, algumas ainda inexploradas pelos sites existentes. “Acredito que investir no crowdfunding para cursos e eventos dos mais diversos — musicais, seminários, exposições, entre outros — tem um ótimo potencial. E que tal um clube de futebol trazer um jogador com o dinheiro dos apaixonados torcedores?” – levanta. Segundo ele, a concorrência entre as plataformas brasileiras existentes é pequena porque cada uma tem um foco diferente. O Catarse é focado em projetos criativos, enquanto o Senso Incomum abriga projetos sociais e o Queremos promove shows, por exemplo.

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1 Opinião

  1. Maria Beatriz C Almeida de Souza disse:

    Muito bacana,mas eu estava pensando em encntrar parceiros para assumirmos um rio, por exemplo: O rio Itapemirim, despoluindo e plantando arvores,desde a sua nascente até o seu desembocar no mar.O trabalho seria também de concientização de toda a população que compreende esta bacia hidrografica.Meus parceiros não teriam dinheio de volta,concerteza muito mais que dinheiro, nossa comtribuição para a bendita natureza e o reconhecimento do nosso trabalho.Então bem sucedidos ,faríamos o mesmo com outros rios.

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