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MANIPULAÇÃO DE VÍDEOS

Deepfakes, a fronteira avançada das fake news

Uma nova e explosiva arma já está à disposição da boa e velha ‘guerra da informação’

Deepfakes, a fronteira avançada das fake news
Potencial de algo assim, novo e explosivo, não é difícil de se imaginar (Foto: Facebook)

No fim do ano passado, o jornalista da CNN Jim Acosta teve sua credencial de acesso à Casa Branca cancelada após um episódio em que Acosta, durante uma coletiva com Donald Trump, no meio de uma discussão com Trump, recusou-se por um momento a entregar o microfone a uma assessora do governo dos EUA.

A justificativa para o cancelamento da credencial de Jim Acosta não foi a desobediência, mas sim que ele teria sido agressivo com a funcionária da Casa Branca. E a acusação da Casa Branca a Acosta foi “fundamentada” em um vídeo…..falso. Sim, falso. Vários especialistas atestaram, na época, que os movimentos de braço do jornalista foram acelerados e o movimento corporal da assessora foi abrandado, de modo a parecer que Acosta foi, de fato, agressivo.

Esta manipulação que a Casa Branca sob o turno de Donald não se fez de rogada em divulgar é quase que grosseira, manual. Imagine, então, o que poderia ser feito – em termos políticos, mas em termos de tudo mais também – se fosse possível manipular vídeos usando uma inteligência artificial tão, digamos, tão inteligente que fosse difícil explicar seu funcionamento; imagine se bastasse dizer a um computador: “faça fulano dizer isso ou aquilo com esta ou aquela expressão, aparecendo neste ou naquele lugar”.

Bem, isso já existe, está cada vez mais aprimorado e tem nome: deepfake, a “última fronteira” das chamadas fake news. A má notícia é que o potencial de algo assim, novo e explosivo, para a boa e velha “guerra da informação” não é difícil de se imaginar. A boa notícia é que, até agora – pelo menos até agora – as mais famosas deepfakes já produzidas foram produzidas precisamente para alertar sobre as deepfakes.

O caso mais famoso, até hoje, é o de um vídeo onde Barack Obama aparece para alertar sobre “tempos perigosos” e que “a partir de agora temos que estar mais alertas com aquilo em que acreditamos na internet”. De fato, porque com cara de Obama, expressões de Obama, voz de Obama e tudo mais de Obama quem fala na verdade é o ator Jordan Peele. Assustador.

Assustador, de resto, se pensarmos que essa deepfake é de abril de 2018. Portanto, de um ano e meio atrás – tempo demais para uma tecnologia que, no dizer dos especialistas, “aprende sozinha”.

No último 23 de setembro, um noticiário humorístico da Itália exibiu deepfakes de vários políticos do país. Os vídeos assombraram os italianos, especialmente um em que o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, aparentemente supondo estar fora do ar, insulta outros políticos diante da câmera. O realismo é impressionante.

Na Argentina, agora, na reta final da campanha presidencial, um vídeo de cerca de um minuto começou a ser divulgado na TV com todos os candidatos da corrida à Casa Rosada alertando os argentinos que, como diz Maurício Macri, na abertura do vídeo, “nestas eleições, é preciso desconfiar de tudo o que se vê”. Ou, como diz em seguida o peronista Alberto Fernández: “hoje, manipular uma imagem é muito fácil”.

            Naturalmente, não era Maurício Macri. Não era Fernández, tampoco.

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