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Nenhum pai reclama se o filho estuda demais. Porém, se o tempo for gasto com computador lá vem a bronca… Mas, antes de chamar atenção dos jovens que estão conectados em páginas como Twitter e Facebook, é preciso ter cuidado. Por incrível que pareça, eles podem estar fazendo o dever de casa. Essas e outras ferramentas tecnológicas têm sido usadas pelas escolas para atrair a atenção dos alunos, levando os conceitos acadêmicos para um mundo que os adolescentes dominam com o pé nas costas. Para os educadores dessa geração, já não basta mais incluir aulas de informática no currículo. Inserir a tecnologia em sala de aula e mostrar aos alunos como utilizar esses novos recursos de maneira crítica têm sido o grande desafio dos professores.
“Saber como usar a tecnologia disponível é, realmente, um desafio para os próximos anos. Colocar computadores nas mãos dos professores não surtirá os efeitos esperados se estes não tiverem conhecimento sobre o uso pedagógico desta ferramenta educacional”, ressalta a pedagoga Bertha do Valle, doutora em Política e Planejamento da Educação e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
Nas aulas de geografia, mapas virtuais de vários lugares do mundo captam a atenção e incitam a curiosidade da turma por seu caráter interativo. Sites como o Google Maps e programas como o Google Earth permitem que os alunos confiram a versão cartográfica de diversas regiões ou imagens de satélite com mobilidade de observação (para cima ou para baixo, para a direita ou esquerda). Os podcasts (programas de áudio) também são uma boa alternativa: além do próprio conteúdo, eles ajudam os alunos a perceber as diferenças entre a oralidade e o texto escrito. Já com o microblog Twitter, por exemplo, é possível treinar concisão.
Alguns colégios estimulam até mesmo os estudantes a frequentar os sites da própria instituição de ensino, nos quais os professores postam tarefas de aula, textos para leitura, sugestões de filmes e livros e até lições de casa. Todo esse esforço não é em vão. Para Bertha Valle, a concorrência das salas de aula comuns com o mundo externo tornou muito difícil, para a maior parte dos professores, despertar a atenção dos alunos. “A motivação das crianças e adolescentes está nas últimas inovações tecnológicas e no dinamismo social que vivemos hoje”, defende Bertha.
O objetivo das instituições de ensino do século XXI é fazer uso da tecnologia em todas as disciplinas. No tradicional Colégio Santo Inácio, que funciona em Botafogo, na Zona Sul do Rio, no lugar de aulas de computação, há um departamento de Informática Educativa, que apoia os professores de todas as matérias.
“Os alunos utilizam os laboratórios e os recursos de mídia. Isso tudo faz parte do cotidiano. É colmo usar lápis, caderno. Mas, como a internet é terra de ninguém e nós trabalhamos com crianças e adolescentes, temos que ter atenção redobrada. Estamos inserindo frequentemente o uso responsável dos meios digitais. E isso também é feito com as famílias, ainda que de maneira incipiente”, explica a professora Elisabeth Bastos, coordenadora de Informática Educativa do Colégio Santo Inácio.
O trabalho com as famílias é importante para não haver divergências de posturas. Segundo Elisabeth, não adianta os pais bloquearem determinados sites, enquanto na escola o aluno tem acesso irrestrito a eles: “Tem que ser uma ação em conjunto, com o apoio da família em casa. A informação está disponível. O importante é saber o que fazer com ela”, ressalta Elisabeth.
No Santo Inácio, o contato com a tecnologia começa cedo. Nas salas do Jardim de Infância, já existem computadores com jogos de raciocínio lógico. “Temos alunos de cinco anos que já têm celular. Isso já está incorporado na vida deles, não há como separar”, relata Elisabeth.
Uso da tecnologia nas escolas não é consenso entre as diferentes linhas pedagógicas
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