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TECNOLOGIA

Huawei processa o governo dos EUA

Empresa de tecnologia está envolvida em um longo embate com os Estados Unidos, que a acusa de espionagem para o governo chinês

Huawei processa o governo dos EUA
EUA estão limitando as ações da Huawei (Foto: Divulgação/Huawei)

A Huawei processou oficialmente os Estados Unidos na última quarta-feira, 6. A companhia chinesa e o governo norte-americano estão com os laços estremecidos desde dezembro, quando a diretora financeira da empresa, Meng Wanzhou, foi presa no Canadá a pedido dos EUA.

A empresa alega que está sendo proibida injustamente pelos Estados Unidos de atuar em território norte-americano, sendo categorizada como uma ameaça à segurança nacional. A iniciativa da companhia chinesa vai tornar o embate mais público, além da Huawei ser analisada mais profundamente pelo governo americano.

Os Estados Unidos têm liderado um movimento de boicote à Huawei, alegando que a empresa chinesa pratica espionagem para o governo da China. Diferentes países seguiram a ideia norte-americana e começaram a impor barreiras à companhia chinesa. Os chineses, por outro lado, buscam conquistar o mercado global de telefonia e tecnologia.

“O Congresso dos EUA fracassou repetidamente em produzir qualquer evidência para apoiar suas restrições aos produtos da Huawei. […] Somos obrigados a tomar esta ação legal como um bom e último recurso”, afirmou o presidente da Huawei, Guo Ping, através de um comunicado.

O governo norte-americano tem usado a Lei de Autorização de Defesa Nacional para impedir que agências governamentais contratem a Huawei. A empresa chinesa, por sua vez, alega que a lei é inconstitucional, justamente por destacar a companhia. O processo é parte de um plano de ação da Huawei para combater as acusações de espionagem.

“O efeito real e intencional dessas proibições é barrar a Huawei de segmentos significativos do mercado norte-americano de equipamentos e serviços de telecomunicações, causando, assim, prejuízos econômicos, competitivos e de reputação imediatos à Huawei”, afirmaram os advogados da empresa chinesa no processo.

O cerco à Huawei

A tensão entre Huawei e Estados Unidos se agravou em dezembro do ano passado, quando a diretora financeira da empresa foi presa no Canadá, sendo solta dias depois. A acusação, feita pelos Estados Unidos, é de que a empresa chinesa teria violado as sanções impostas contra o Irã.

A prisão de Wanzhou criou uma grande tensão entre a China e o Canadá. No início de janeiro, o Canadá denunciou que pelo menos 13 cidadãos canadenses foram presos na China entre dezembro e janeiro. O governo canadense preferiu não apontar as detenções como uma espécie de retaliação à prisão de Wanzhou, mas diplomatas baseados em Pequim e ex-diplomatas canadenses acreditam que as detenções foram uma represália chinesa.

O embaixador do Canadá na China, John McCallum, porém, saiu em defesa de Wanzhou. Para o embaixador, a diretora da Huawei tem “bons argumentos”. Isso porque o pedido de extradição foi feito baseado na suposta violação das sanções dos EUA ao Irã, e o “Canadá não assina essas sanções do Irã”. No fim de janeiro, porém, McCallum foi demitido pelo governo canadense.

Com o objetivo de instalar redes de internet 5G em diferentes países do mundo, a Huawei tem enfrentado muitos problemas. Alguns países já proibiram a instalação da tecnologia, enquanto outros chegaram a deter funcionários da Huawei acusados de espionagem. Esse, inclusive, seria o maior temor dos governos no que diz respeito à empresa chinesa.

A Huawei, por sua vez, nega todas as acusações. A empresa de tecnologia sempre esclareceu que está focada apenas no avanço tecnológico, afirmando que não tem nenhum tipo de envolvimento com possíveis espionagens do governo chinês. Para o governo da China, as ações dos EUA contra a Huawei são “altamente políticos” e “essencialmente intimidação tecnológica”.

Em janeiro, a Vodafone, segunda maior empresa de telefonia celular do mundo, anunciou que iria suspender parte da implementação de equipamentos de tecnologia da Huawei. Segundo o executivo-chefe da empresa, Nick Read, os equipamentos seriam mantidos fora do “núcleo”, que seria a parte mais importante da rede.

Fontes:
The New York Times-Huawei Sues U.S. Government Over What It Calls an Unfair Ban
CNN-Huawei: US Congress acted as 'judge, juror and executioner' with ban on our products

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