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O jornalismo e a revolução digital

A discussão sobre os rumos do jornalismo tradicional ganha ainda mais intensidade com as novas possibilidades que se abrem para a publicação e leitura de notícias através de dispositivos móveis

O jornalismo e a revolução digital
O meio online é dinâmico e instantâneo, com as possibilidades de se receber conteúdo através de RSS Feeds, e-mail ou celular (Foto: Pixabay)

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A discussão sobre os rumos do jornalismo tradicional em meio ao desenvolvimento do jornalismo online, que inclui opiniões divididas sobre a possível perda de espaço do primeiro, ganha ainda mais intensidade com as novas possibilidades que se abrem para a publicação e leitura de notícias através de dispositivos móveis. Mas o cenário é positivo, apresentando múltiplas oportunidades para os diferentes veículos.

Durante o ano de 2007, grandes jornais e revistas criaram suas edições móveis. Alguns até já as tinham, mas decidiram reformá-las e aprimorá-las a partir da explosão dos smartphones. Como exemplos, pode-se citar o Washington Post, a Newsweek, a Slate, o USA Today e o Globo online, que lançou o Globo.mobi. “Em 2008, outras publicações vão correr atrás de melhorar ou criar suas edições móveis. Assim como vivenciamos os jornais online criando blogs, depois ‘abraçando’ os vídeos online, em 2008 o ‘abraço’ será em torno dos sites móveis”, acredita Mario Cavalcanti, editor do site Jornalistas da Web.

“Não creio que a leitura de notícias pelo celular — seja em sites wap ou SMS — venha a ameaçar os meios tradicionais”, afirma Daniel Stycer, editor executivo do Globo Online. Ele acredita que essas mídias se complementam, pois cada uma tem o seu papel específico a desempenhar quando se trata de informar o leitor. “As pessoas lêem jornal no café da manhã, ouvem rádio a caminho do trabalho, se informam através do computador durante o serviço e podem ler notícias em seus celulares enquanto estão no almoço ou no transporte a caminho de casa ou no lazer”.

Outra diferença entre essas mídias é o tipo de conteúdo que se adapta melhor a cada uma delas. “A meu ver, cabe aos veículos tradicionais — jornais e revistas — cada vez mais a análise e, aos veículos instantâneos — rádio, tevê, web e celular — a notícia rápida, curta, em tempo real”, analisa Stycer. Pelo telefone móvel seria útil um usuário receber, por exemplo, notícias sobre o trânsito, que pudessem até mesmo ajudá-lo na escolha de um trajeto a ser seguido para casa na volta do trabalho.

O desenvolvimento da versão de um site para ser acessado via celular envolve preocupações técnicas baseadas principalmente na experiência que o usuário terá ao tentar ler as notícias pelo seu aparelho. Cavalcanti destaca a importância de pensar e projetar levando em conta o que funciona para a maioria dos celulares. Gráficos em flash, por exemplo, não podem ser visualizados em qualquer aparelho, pois o Flash Lite, uma versão do Flash para dispositivos móveis, geralmente está disponível apenas nos modelos mais modernos de celulares.

“Do ponto de vista técnico, os fundamentos básicos que nortearam a criação do Globo.mobi foram a simplicidade e a praticidade. Ele foi pensado para ser acessado dos mais diversos tipos de aparelhos, inclusive modelos que já estão no mercado há mais de dois anos”, conta Stycer, mostrando que a criação da versão para celulares do Globo Online alinha-se com a ideia de incluir o maior número de leitores possível.

Outra característica que ajuda na acessibilidade é o “peso” reduzido das páginas da versão para dispositivos móveis, que, como destaca Stycer, permite que quem não tem muita familiaridade com tecnologias mais novas também encontre facilidade no uso do site, considerando-o bastante intuitivo. O conteúdo da versão para dispositivos móveis, apesar de agora ser igual ao da versão online de O Globo, deve passar por mudanças em breve. “Optamos num primeiro momento por reproduzir o conteúdo do Globo Online, apenas pela impossibilidade de ter recursos para produzir conteúdo diferenciado. No entanto, não tenho dúvida de que, em breve, teremos de adotar este caminho”, conta Stycer, complementando que testes de usabilidade com usuários do Mobi revelaram que eles esperam ler textos curtos em seus aparelhos.

A tendência de barateamento do acesso à internet via celular — que está associada à tão comentada tecnologia de terceira geração ou 3G lançada no Brasil inicialmente pela operadora Claro — promete popularizar o acesso à internet banda larga pelos celulares e a leitura de notícias através dos aparelhos. Cavalcanti prevê que, em cerca de um ano e meio, todos os celulares disponíveis no mercado terão uma boa conexão à rede. Ele compara a redução que vem sendo sofrida pelos preços das câmeras para celulares, à medida que esse recurso se populariza, à queda no preço da conexão via celular.

Além de acreditar na criação e na reformulação das edições móveis de veículos como uma das grandes tendências do jornalismo em 2008, o editor do Jornalistas da Web aponta a popularização do GPS — que já aparece em PDAs e smartphones — como outra dessas tendências. Em celulares, a popularização do GPS vem associada aos aplicativos de mapas virtuais para celulares, como o Google Maps especial para para aparelhos móveis, e traz uma nova definição para a palavra “navegação”. Associada às incursões de internautas pela Web, ela passa a ter o sentido de estar guiado por mapas. Em breve, ter um GPS no celular será o novo sinônimo de “navegar”.

Deve acontecer ainda neste ano, segundo o jornalista, o início da popularização da edição de vídeos através do celular. “A capacidade de envio e recebimento de vídeos via celular está aumentando. Assim como no desktop você edita vídeos, você poderá fazer pequenas edições de vídeos em celulares”.

Jornalista multimídia

O meio online é dinâmico e instantâneo, com as possibilidades de se receber conteúdo através de RSS Feeds, e-mail ou celular; é multimídia, com seus infográficos, slideshows, vídeos; é interativo, permitindo que os leitores colaborem e comentem; é democrático, pois admite a publicação de textos por qualquer um através de blogs, por exemplo; é também multilinear — característica delineada pelos hiperlinks, que estabelecem novos caminhos para a forma como é feita a leitura, e onipresente: está nos celulares, PDAs e laptops, entre outros.

Para Nino Carvalho, e-Creative Director da América Latina e Caribe do British Council Brasil, o jornalista atuante hoje precisa aprender marketing. “O conteúdo está cada vez mais personalizado. Se o jornalista, o professor de conteúdo para a Web não souber trabalhar dentro dessa demanda pela personalização, ele não sobrevive”.

A opinião de Carvalho remete ao que disse, recentemente, o editor executivo do site do jornal Washington Post, Jim Brady. Ele afirmou que a versão online do veículo passará pela sua maior reformulação desde que foi criada, em 2006, e fez referência a três pontos-chave em que pretende continuar investindo: o engajamento com o usuário, que inclui as ferramentas de interatividade e de rede social, semelhantes às do Orkut; os recursos multimídia e a manutenção de bases de dados úteis para os leitores. Este último aspecto tem como um dos melhores exemplos na Web a Amazon, que trabalha cruzando informações relacionadas aos seus clientes, adquiridas e armazenadas a cada vez que fazem buscas ou compram pelo site. Dessa forma, cada vez mais a empresa sabe o que eles querem encontrar, ou seja, consegue “prever” suas necessidades.

Segundo a jornalista Pollyana Ferrari, autora do livro Jornalismo Digital, as novas características do jornalismo, redefinidas pela internet, exigem que os jornalistas se transformem, mostrando-se capazes de mexer com várias mídias ao mesmo tempo. Mas esse não é o único pré-requisito para ser um ciberjornalista. “Não basta ser multitarefa e esperto com a tecnologia presente da Web: é preciso ter background cultural para conseguir contextualizar a informação e empacotá-la de um jeito diferente a cada necessidade editorial”. Na opinião de Stycer, as novas tecnologias impõem novos aprendizados — “o que é um pouco mais difícil para os não-nativos na era digital” — mas as características de um bom jornalista hoje seriam as mesmas de 20 anos atrás. “É preciso curiosidade, bom texto, cultura geral, capacidade de discernimento do que é relevante”.

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6 Opiniões

  1. Pirre Krauss disse:

    Ótima matéria

  2. Adilson Rocha disse:

    A cada ano que passa, as novidades vão se tornando obsoletas, ou ficando desatualizadas. Isso atrai muito os consumidores. E isso se aplica tambêm no sistema jornalístico.

  3. Claudio Carneiro disse:

    Muito boa a abordagem. Aumentei meus conhecimentos sobre o assunto.

  4. Andrezza Carvalho disse:

    Isso nos dá uma idéia de como a Internet é uma nova forma de comunicação e interação. Para nós profissionais de comunicação é a re-invenção da roda. Excelente abordagem da matéria. Parabéns.

  5. Cláudia Braga disse:

    Adorei a matéria Camila, você está de parabéns!!!!

  6. Fernanda disse:

    É…a nova era chegou…junto com ela as novas tecnologias e as transformações no uso das comunicações.A comunicação digital potencializa a interação entre as pessoas e torna-se um canal de conhecimentos, sendo a chave para uma educação mais rica e complexa.A matéria muito bem elaborada, também serve de reflexão para as pessoas que ainda não se inseriram neste cenário digitalizado ,mergulhem profundamente neste, pois o mundo pertence aos que buscam aperfeiçoamento, conhecimento e ousadia.Fernanda.

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