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RELATÓRIO

Os países que mais pagam pelo acesso à internet

Novo relatório aponta que africanos têm as taxas de internet mais caras do mundo, chegando a custar mais de 20% da renda mensal

Os países que mais pagam pelo acesso à internet
Custo é a principal razão pela qual 49% da população global permanece offline (Foto: William Hook/Flickr)

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Consumidores de países africanos estão pagando uma das taxas mais altas do mundo pelo acesso à internet em comparação à renda média da população, de acordo com um novo relatório.

A Aliança pela Internet Acessível (A4AI) avaliou 136 países de baixa e média renda para o seu Relatório Anual de Acessibilidade. Exemplos de renda média do relatório incluem Malásia, Colômbia, Índia, Jamaica, África do Sul e Gana, enquanto exemplos de baixa renda foram Nepal, Mali, Haiti, Libéria, Iêmen e Moçambique.

O A4AI é uma iniciativa da The Web Foundation, fundada pelo
criador da World Wide Web (WWW), Tim Berners-Lee, com organizações parceiras que incluem Google e Facebook. O A4AI define acessibilidade como 1 GB de dados de banda larga móvel, custando não mais que 2% da renda média mensal. Mas a média em todo o continente africano é de 7,12% e, em alguns casos, 1 GB custa mais de 20% do salário médio.

Tais preços são “muito caros para todos, exceto os poucos mais ricos”, afirma o relatório, citando o custo como a principal razão pela qual 49% da população global permanece offline. Os autores do relatório argumentam que mercados e monopólios são a principal causa de preços altos e oferecem várias sugestões para resolver o problema.

Os países africanos estão sujeitos aos preços da internet menos acessíveis do mundo, de acordo com dados da A4AI. Os cidadãos do Chade, da República Democrática do Congo e da República Centro-Africana pagam mais de 20% da renda média mensal por 1 GB de dados de banda larga móvel. Por outro lado, as taxas mais acessíveis do continente estão no Egito, a 0,5%, e nas Ilhas Maurício, a 0,59%.

No geral, o relatório constatou que os custos estão caindo mais rapidamente em países de baixa renda do que os de renda média, mas em muitos casos os preços permanecem um obstáculo. A principal recomendação da A4AI é uma maior liberalização dos mercados e medidas para aumentar a competitividade.

“A concorrência é essencial para os mercados de banda larga bem-sucedidos”, afirma o relatório. A estimativa dos autores de que a mudança de “mercados consolidados” – monopólios – para mercados de várias operadoras poderia reduzir drasticamente os custos de dados de banda larga móvel.

“Nossa pesquisa estima que dados de 1 GB em um mercado móvel de monopólio podem custar US$ 7,33 mais caro do que se fosse um mercado de duas operadoras”, disseram os autores.

As medidas recomendadas para aumentar a concorrência incluem “regras justas para a entrada no mercado e incentivos a novos concorrentes”, como um regime de licenciamento liberal e transparente. 

A A4AI também criou um banco de dados de boas práticas com estudos de caso de países de baixa e média renda que melhoraram o acesso, como a Namíbia, que permitiu que novos provedores de serviços entrassem no mercado e viram declínio nos custos. O Quênia também foi citado por disponibilizar acesso à internet para milhões de cidadãos, eliminando um imposto sobre aparelhos celulares.

A A4AI também recomenda que o setor público intervenha onde os modelos com fins lucrativos ficam aquém. O relatório sugere o fornecimento de “opções de acesso público, como wi-fi gratuito e telecentros para preencher lacunas no mercado”. Tais medidas são particularmente aplicáveis às áreas rurais e para garantir que regiões remotas e marginalizados possam acessar os benefícios econômicos e sociais da rede.

Fontes:
CNN-Africans face most expensive internet charges in the world, new report says

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