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TECNOLOGIA

Redes sociais podem ser regulamentadas

Durante o depoimento de executivos do Facebook e do Twitter, membros da Comissão de Inteligência do Senado sugeriram ideias de regulamentação do setor de tecnologia

Redes sociais podem ser regulamentadas
Empresas poderiam não ser capazes de resolver problemas sozinhas (Foto: Pixabay)

No momento em que o CEO do Twitter, Jack Dorsey, começou a depor no Senado em 5 de setembro, ele fez um breve aparte. Segurando seu smartphone, que continha o texto do seu depoimento perante a Comissão de Inteligência do Senado, Dorsey mostrou aos membros da comissão que estava enviando a abertura de seu testemunho pelo Twitter.

“Temos muito orgulho de permitir o acesso e a troca simples e rápida de mensagens” disse Dorsey, enquanto essas palavras repercutiam entre seus 4 milhões de seguidores online. “Porém, não temos orgulho da maneira como essa plataforma foi usada”.

Comentários como o de Dorsey foram ouvidos nas diversas audiências que a comissão realizou com executivos das redes sociais desde a eleição de 2016. Embora o tema central fosse a suposta interferência de hackers russos na eleição, Dorsey e a diretora operacional do Facebook, Sheryl Sandberg, enfrentaram críticas dos parlamentares sobre questões que abordaram desde a privacidade dos usuários, o discurso de ódio, a integridade de seus modelos de negócios e o uso de plataformas digitais no tráfico de drogas.

“Sabemos que as redes sociais têm um papel muito importante na interação entre as pessoas”, disse o senador Richard Burr, presidente da comissão, ao abrir a audiência de duas horas e meia de duração. “Mas também sabemos que as redes sociais são vulneráveis à violação de hackers, além de terem o potencial de disseminação de informações para incitar a violência e fomentar o caos”, acrescentou.

Sandberg e Dorsey mantiveram a calma e responderam as perguntas, às vezes constrangedoras, com clareza e objetividade. Ambos reiteraram seu interesse em colaborar com o governo, com serviços de inteligência, acadêmicos e colegas do setor de tecnologia para dar a maior transparência possível às suas ações. No entanto, evitaram endossar propostas políticas específicas formuladas pelos parlamentares.

Com o mesmo teor dos comentários do fundador e CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, que prestou depoimento no Senado em abril deste ano, Sandberg iniciou seu testemunho dizendo que a empresa demorara muito para perceber o uso inadequado da plataforma e fora lenta demais na solução dos problemas. Mas destacou as medidas que a empresa tem adotado, como a contratação de especialistas em segurança cibernética.

Embora as respostas nem sempre tenham sido satisfatórias, os membros da comissão agradeceram a presença dos dois executivos. O  Google havia sido convidado a enviar Larry Page, CEO da Alphabet, para depor. Porém, a empresa declinou o convite e sugeriu o envio de um executivo de segundo escalão, o advogado Kent Walker.

Os membros da comissão manifestaram seu descontentamento com a atitude do Google mantendo uma cadeira vazia ao lado de Sandberg e Dorsey. O senador Marco Rubio disse que a empresa era “arrogante” e a senadora Kamala Harris deu boas-vindas em tom de ironia à “testemunha invisível”.

Até que ponto as empresas de tecnologia estão dispostas a cooperar com o governo e se têm condições de reformular suas práticas? Essa foi a grande pergunta que pairou no ar durante a audiência. Alguns senadores democratas disseram que o Facebook e o Twitter não seriam capazes de resolver sozinhos os problemas criados pelas suas plataformas.

“Não acredito que consigam enfrentar sozinhos esse desafio”, observou o senador democrata Mark Warner. “Acho que o Senado terá de intervir, com propostas de regulamentação de novas leis de compartilhamento de informações entre usuários públicos e privados, segurança, e mais responsabilidade ​​quanto ao conteúdo de suas plataformas.”

Os dois executivos mostraram-se abertos à ideia de um trabalho em conjunto com o governo. “Mas não acho que seja apenas uma questão de regulamentação, e sim de uma regulamentação correta”, observou Sandberg.

Dorsey, por sua vez, disse que era preciso rever os princípios básicos nos quais o Twitter se apoia. “Seus executivos estão dispostos a iniciar uma discussão saudável sobre o cenário digital que o Twitter criara em 2006. O que funcionou há 12 anos, não funciona mais”.

 

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Fontes:
Time-Lawmakers Hint at Regulating Social Media During Hearing With Facebook and Twitter Execs

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