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Setor empresarial investe em inteligência artificial

Empresas de diferentes setores estão usando inteligência artificial para prever a demanda, contratar funcionários e se relacionar com clientes

Setor empresarial investe em inteligência artificial
A aplicação da IA nas empresas terá um impacto maior no local de trabalho (Foto: Pixabay)

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A inteligência artificial (IA) está sendo cada vez mais usada no meio empresarial. Empresas dos mais diversos setores estão usando a IA para prever a demanda, contratar funcionários e relacionar-se com os clientes. Em 2017, as empresas gastaram US$ 22 bilhões em fusões e aquisições relacionadas à inteligência artificial, um valor 26 vezes superior ao de 2015. Na avaliação do McKinsey Global Institute, o uso da IA em marketing, vendas e nas cadeias de suprimentos pode gerar valor econômico, incluindo lucro e produtividade, no montante de US$ 2,7 trilhões nos próximos 20 anos. O entusiasmo é tão grande que o CEO do Google disse que a IA superará os benefícios da descoberta do fogo e da invenção da eletricidade para a humanidade.

A aplicação da IA nas empresas terá um impacto maior no local de trabalho, com um controle quase total do desempenho e comportamento dos funcionários. A Amazon patenteou uma pulseira, que segue os movimentos das mãos dos funcionários dos depósitos de estocagem de mercadorias, e vibra para incentivá-los a serem mais eficientes. A empresa de software Workday analisa um conjunto de 60 indicadores que preveem quais funcionários pedirão demissão ou serão demitidos. A startup Humanyze vende crachás inteligentes que rastreiam os movimentos dos funcionários no escritório e mostram como eles interagem com os colegas.

Todas as empresas têm normas que regulamentam as relações de trabalho. Os operários das fábricas batem ponto. Os gerentes têm meios de checar o que os funcionários ociosos fazem em seus computadores. Mas a vigilância da IA coleta informações minuciosas e precisas, que podem ajudar as empresas a serem mais eficientes e produtivas.

A Humanyze mistura dados das agendas e e-mails dos funcionários para analisar se o projeto arquitetônico do escritório oferece um ambiente propício ao trabalho em equipe. O aplicativo de mensagens Slack ajuda os gerentes a avaliar a rapidez com que os funcionários cumprem suas tarefas. As ferramentas da IA permitem identificar irregularidades nos recibos de despesas e de pagamentos de horas-extras a funcionários, com mais eficiência do que um contador.

Os empregados também se beneficiam com o uso da IA. As câmeras de monitoramento verificam se os operários estão usando equipamentos de segurança adequados e mostram possíveis acidentes de trabalho em tempo real. Algumas pessoas gostam de ver seu trabalho avaliado, para que possam melhorar seu desempenho se necessário.

A startup Cogito desenvolveu um software com recursos da IA, que ouve os contatos telefônicos dos serviços de atendimento aos clientes e atribui uma “pontuação de empatia” baseada na identificação dos funcionários com os problemas que lhes são apresentados e a rapidez com que conseguem resolvê-los.

As ferramentas da IA ajudam avaliar as questões subjetivas de aumentos salariais, promoções e contratações de novos funcionários. Em geral, as pessoas tendem a ter uma visão parcial sobre determinados assuntos, como gênero, raça etc., mas os algoritmos bem projetados têm um raciocínio imparcial.

Porém, a vigilância onipresente dos sistemas computacionais que usam recursos da inteligência artificial é profundamente invasiva. As empresas estão começando a monitorar o tempo gasto pelos funcionários em seus intervalos de trabalho. A empresa de software Veriato rastreia e registra cada toque dos funcionários nas teclas dos computadores, com o objetivo de avaliar o grau de comprometimento deles com a empresa. Os recursos da IA permitem descobrir detalhes do perfil dos funcionários de uma empresa, não só pela análise de dados sobre o comportamento profissional, como também por meio da interação deles nas redes sociais.

Três princípios devem nortear o uso mais abrangente da IA no local de trabalho. Primeiro, os dados precisam ser anônimos. A Microsoft, por exemplo, tem um software que analisa como os funcionários gerenciam seu tempo no escritório, mas fornece informações aos gerentes de forma agregada. Em segundo lugar, as empresas devem informar aos seus funcionários que tipos de tecnologias estão sendo usadas e com que função. É imprescindível respeitar a privacidade alheia. É preciso encontrar um justo equilíbrio entre a necessidade de aumentar a eficiência e a produtividade dos empregados, sem tratá-los como robôs em um ambiente de trabalho opressivo.

 

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Fontes:
The Economist-The workplace of the future

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