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TECNOLOGIA

Sonho antigo, carros voadores começam a virar realidade

Várias empresas estão desenvolvendo projetos de drones para transportar passageiros

Sonho antigo, carros voadores começam a virar realidade
O TF-X é o projeto mais moderno em testes (Foto: Terrafugia)

As pessoas sempre invejaram os pássaros. Em 1842, William Henson, um fabricante de rendas britânico, registrou a patente de uma “carruagem aérea”. Sessenta anos depois, com a invenção do motor de combustão interna, os irmãos Orville e Wilbur Wright fizeram o primeiro voo controlado no avião Flyer. Na década de 1920, Henry Ford pensou em fabricar um carro voador. “Talvez seja uma ideia arrojada demais, mas em algum momento vai se tornar realidade”, disse. Em 1970, a Ford construiu o Aerocar, um dos poucos modelos de carros voadores que obtiveram um certificado de aeronavegabilidade.

No entanto, os projetos de carros voadores nunca se concretizaram. Mas os progressos nos motores elétricos, nas baterias e nos sistemas de voo autônomos estimularam as vendas de pequenos drones usados com fins militares, comerciais, publicitários, ambientais etc.

Agora, diversas empresas estão desenvolvendo projetos de drones para transportar passageiros, como a Workhorse, um fabricante americano de veículos elétricos; Joby Aviation, uma empresa da Califórnia que conta com o apoio da JetBlue Airways e da Toyota; AeroMobil, uma empresa eslovaca; e Lilium, uma empresa alemã que desenvolve o projeto de um táxi aéreo com motor elétrico. Larry Page, um dos cofundadores do Google, investiu em alguns desses projetos, entre os quais no Kitty Hawk Flyer, em que o piloto fica sentado como se estivesse em uma motocicleta voadora. Os fabricantes de aviões como Boeing, Airbus e Bell Helicopter também estão envolvidos em projetos semelhantes.

Algumas das novas máquinas voadoras são adaptações do design dos carros voadores antigos. O TF-X fabricado pela Terrafugia, uma empresa de Massachusetts, é o projeto mais moderno em testes. O TF-X baseia-se no Transition, um carro a gasolina com asas dobráveis ​​e uma hélice na parte de trás, que começará a ser vendido a partir do próximo ano. O TF-X é um carro híbrido de uso na terra e no ar, além de ser equipado com um sistema de pouso e decolagem vertical, como um helicóptero. A Terrafugia pretende aperfeiçoar a autonomia de voo do TF-X para que possa transportar quatro pessoas em um trajeto de 800 km a uma velocidade de 320 km/h.

Muitos concorrentes da Terrafugia estão abandonando a ideia de carros híbridos, como, por exemplo, a Volocopter, uma empresa alemã financiada pela Daimler e Intel. Desde 2016 a empresa tem feito testes de voo com os protótipos de um táxi autônomo. Em 2017, Brian Krzanich, o executivo-chefe da Intel, fez um voo em um desses protótipos dentro de uma sala de exposições, com um piloto controlando o aparelho remotamente. Um curto voo autônomo foi realizado em Dubai no ano passado, sem ninguém a bordo. Aos poucos, o CEO da Volocopter, Florian Reuter, espera convencer os reguladores que drones de passageiros são seguros o suficiente para fazer voos autônomos mais ambiciosos.

A Volocopter também quer convencer a Agência Europeia para a Segurança da Aviação a classificar seu avião-robô de passageiros na categoria de “avião leve e esportivo”, que pode ser pilotado por um profissional com menos horas de treinamento e, portanto, com um custo menor.

O tráfego aéreo ainda é um problema a ser solucionado. Os drones autônomos terão de ter um sistema de radar especial para evitar colisões. Além disso, os drones de passageiros são projetados para voar de um lugar para outro, sem pouso e decolagem nos aeroportos durante o percurso. Segundo Stephen Prior, um especialista em drones da Universidade de Southampton, no Reino Unido, esses voos diretos dificultarão ainda mais o controle do tráfego aéreo.

Por fim, o alto custo de produção desses novos aparelhos e a exigência da licença de pilotagem reduzirão a demanda, pelo menos no início. Os drones de passageiros custarão entre US$ 200,000 a US$ 300,000. Mas, assim como acontece com qualquer novidade tecnológica lançada no mercado, aos poucos os preços caem. Essas novas máquinas voadoras talvez não pareçam com os carros imaginados por Henry Ford, mas ele estava certo. Um dia eles seriam uma realidade.

Fontes:
The Economist-Passenger drones are a better kind of flying car

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