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Microsoft x Intel

Tecnologia da informação em transição

Conforme a união entre Microsoft e Intel termine, o mundo da computação se torna multipolar

Tecnologia da informação em transição
O casamento entre a Microsoft e Intel está ameaçado pelo progresso tecnológico

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Considerados os mais importantes protagonistas da tecnologia da informação há alguns anos, a Intel e a Microsoft parecem não estar mais tão monopolistas. Na Microsoft, o fundador, Bill Gates, se aposentou para doar seus bilhões. Desde então, a dupla “Wintel” (junção do Windows, pertencente à Microsoft, e da Intel) são cada vez mais vistos como os tiranos do passado. Hoje, os boatos de que um golpe está sendo preparado para expulsar Steve Ballmer, o atual chefe da Microsoft, persistem.

Mas ainda há vida para essas duas corporações. Elas ainda controlam os dois maiores sistemas de computação, o Windows, que controla a maioria dos sistemas computacionais pessoais, e o “Intel Architecture”, o conjunto de regras que diz como o software deve interagir com o processador. Mais de 80% dos computadores ainda rodam no modelo da dupla Wintel. Mesmo com a crise financeira, as duas empresas anunciaram ganhos de US$ 4,5 bilhões (Microsoft) e US$ 2,9 bilhões (Intel).

Conforme a revista inglesa Economist apurou, a Intel está no caminho para chegar a um acordo com a Federal Trade Commission dos Estados Unidos (FTC), que acabaria efetivamente com o processo antitruste que preocupava as duas empresas. A Microsoft, por sua vez, acaba de reforçar seus laços com a ARM, novo rival da Intel. Isto sugere que o casamento Wintel está desmoronando.

O casamento Wintel está agora ameaçado, curiosamente, pelo progresso tecnológico. Processadores se tornam cada vez menores e mais poderosos, conexões de internet sem fio mantém a aceleração. Isso criou tanto forças centrípetas quanto centrífugas, que estão empurrando a computação para centros de dados (armazéns enormes cheios de servidores) e para dispositivos móveis que as empresas Microsoft e Intel não dominam.

Aproveitando o avanço tecnológico, outras empresas entraram na disputa. A Apple agora vale mais do que a Microsoft, graças ao enorme sucesso de seus dispositivos móveis, como o iPod e iPhone. A Google pode ser mais conhecida pelos seus serviços de busca, mas a empresa também pode ser vista como uma rede global de centros de dados, dezenas deles, que lhe permitem oferecer serviços gratuitos de internet. Esses serviços  competem com muitos dos caros programas da Microsoft.

Os destruidores de truste tornaram a vida do casal Wintel mais difícil, principalmente por reduzir as maneiras que podem defender e expandir seus quase-monopólios. Tendo perdido sua batalha com a Comissão Europeia, por exemplo, a Microsoft agora deve dar aos usuários Windows na União Europeia a escolha de qual navegador web instalar. A comissão também foi atrás da Intel, multando-a em US$ 1,44 bilhões por dar descontos aos fabricantes de computadores se eles usassem menos chips AMD.

A Apple, cujos produtos têm sido sempre mais integrados, está construindo um centro de dados enorme e também oferece serviços baseados na web. A Google está desenvolvendo o Android, um sistema operacional para smart-phones. Como mostra o gráfico abaixo, os pesos-pesados do mercado corporativo de TI também estão conseguindo invadir uns o território dos outros. Essa é a única maneira de crescer, eles acreditam. A Cisco, maior fabricante mundial de equipamento de rede de dados, começou a vender servidores. Isso estimulou a HP,  fornecedora dessas máquinas, a investir  na rede empresarial. Já a Oracle, que vende softwares de negócios, comprou a Sun Microsystems, uma fabricante de computadores, em 2009.

Conforme a dupla Wintel for se acabando, o mundo da computação irá começar a ficar diferente. Em vez de ser dominado por duas empresas, o mercado vai ser disputado entre oito ou nove gigantes. Oracle, Cisco e IBM vão disputar clientes corporativos. Apple e Google lutarão pelos indivíduos.

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Fontes:
Economist - The end of Wintel

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