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Vazamento do Facebook afetou 443 mil brasileiros

Ao todo, foram 87 milhões de usuários, sendo 443 mil no Brasil, afetados pelo vazamento de dados da rede social em todo o mundo

Vazamento do Facebook afetou 443 mil brasileiros
O Facebook está tomando medidas de emergência para proteger os dados de seus usuários (Foto: Pixabay)

O escândalo do vazamento de dados do Facebook afetou 443 mil brasileiros, conforme informou, na última quarta-feira, 4, o diretor de tecnologia da rede social, Mike Schroepfer, através de um comunicado no site da empresa. Ao todo, 87 milhões de usuários foram afetados em todo o mundo.

O novo número divulgado pelo Facebook supera a estimativa anterior, que acreditava que 50 milhões de usuários teriam sido afetados pela colheita de dados irregular da Cambridge Analytica, segundo documentos de ex-funcionários e associados da consultoria política. Em 2016, a empresa inglesa teria usado as informações dos usuários para interferir nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

“Usando a metodologia mais abrangente possível, essa é nossa melhor estimativa do maior número de usuários únicos que instalaram o aplicativo thisisyourdigitallife, assim como outros cujos dados podem ter sido compartilhados com o aplicativo por seus amigos”, explicou Schroepfer, admitindo não saber precisar quais dados foram usados pela empresa de consultoria política e nem “exatamente quantas pessoas foram afetadas”.

O país que teve o maior número de usuários afetados foi os Estados Unidos (70.632.350 milhões), seguido por Filipinas (1.175.870 milhão), Indonésia (1.096.666 milhão), Reino Unido (1.079.031 milhão), México (789.880 mil), Canadá (622.161 mil), Índia (562.455 mil), Brasil (443.117 mil), Vietnã (427.446 mil) e Austrália (311.127 mil).

Foto: Facebook

Mudanças

Diante do escândalo de vazamento de dados, o Facebook está tomando algumas medidas de emergência para proteger os dados de seus usuários, conforme explicou Mike Schroepfer, através do comunicado. De acordo com o diretor de tecnologia, serão feitas modificações na Interface de Programação de Aplicações (API) de eventos, grupos e páginas.

Dessa forma, os aplicativos que usam a API para eventos, por exemplo, não vão mais poder visualizar a lista de convidados e postagens no mural do evento. No futuro, apenas plataformas aprovadas pela equipe da rede social poderão ter esse acesso. O mesmo vale para os aplicativos que usam o API para grupos ou páginas, que precisarão ser aprovados previamente pelo Facebook.

Além disso, também precisarão ser aprovados os aplicativos que solicitem informações pessoais do usuário – a necessidade de aprovação já ocorria desde 2014, mas o processo ficará mais rigoroso. Entre outras mudanças, as buscas por outras pessoas na rede social também não serão mais feitas por número de telefone ou e-mail, apenas pelo nome do usuário; e o histórico de chamadas e texto do Facebook Messenger e Lite serão mantidos apenas por 12 meses.

“Por fim, a partir de segunda-feira, 9 de abril, mostraremos às pessoas um link na parte superior de seu feed de notícias para que elas possam ver quais aplicativos elas usam e as informações que compartilharam com esses aplicativos. As pessoas também poderão remover aplicativos que não desejam mais. Como parte desse processo, também informaremos às pessoas se suas informações podem ter sido compartilhadas de maneira inadequada com a Cambridge Analytica”, informou Schroepfer.

Em um outro comunicado, assinado pela vice-presidente de Privacidade, Erin Egan, e pela diretora jurídica adjunta, Ashlie Beringer, o Facebook anunciou que está modificando os Termos e Políticas de dados, sem solicitar novas informações de seus usuários.

“Não estamos pedindo novos direitos para coletar, usar ou compartilhar seus dados no Facebook. Também não estamos mudando nenhuma das opções de privacidade que as pessoas possam ter feito”, explicou a nota compartilhada no site da empresa.

Nas adições ao novos Termos e Políticas, será possível encontrar informações sobre os novos recursos e ferramentas adicionados ao Facebook, como a compra e venda de produtos no Marketplace. Também será possível entender como os dados compartilhados na rede social são usados pela empresa, além de explicarem melhor sobre as circunstâncias de compartilhamento de dados e o reforço do compromisso de nunca vender informações para outras companhias.

Os termos também vão permitir que o usuário entenda por que está vendo determinada publicidade. Além disso, será possível compreender o compartilhamento de dados entre plataformas da mesma empresa, como o WhatsApp e o Instagram, por exemplo. No documento também serão acrescentadas maiores informações sobre os dados coletados quando há a sincronização do smartphone com a conta no Facebook.

Nos próximos sete dias será possível que o usuário forneça um feedback sobre as adições aos Termos e Política de dados. Depois de finalizado, o Facebook solicitará que o usuário aceite o compromisso.

Investigações

A Federal Trade Comission, agência que regula as atividades comerciais dos EUA, está investigando se o Facebook violou um acordo de 2011, que protegia os dados dos usuários. Na próxima semana, na quarta-feira, 11, e quinta-feira, 12, o CEO da plataforma, Mark Zuckerberg, vai se apresentar aos comitês de Comércio e Judiciário do Senado e de Energia e Comércio da Câmara, respectivamente.

“Essa audiência será uma oportunidade importante para lançar luz sobre questões críticas de privacidade de dados do consumidor”, explicaram o republicano Greg Walden e o democrata Frank Pallone, do comitê da Câmara.

Além disso, por conta da influência de agentes russos nas eleições americanas de 2016, o Facebook tem sido alvo constante de comissões policiais e congressistas para ter todas as informações analisadas. Os problemas acarretados fizeram com que os investidores fugissem da empresa, fazendo com que as ações da rede social caíssem nas últimas semanas.

 

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Fontes:
The New York Times-Facebook Says Cambridge Analytica Harvested Data of Up to 87 Million Users
BBC-Facebook admite uso indevido de dados de 87 milhões de usuários, 443 mil no Brasil

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