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Ciência e saúde

Teoria sobre vacinas causarem autismo pode estar ligada a surto de sarampo no Reino Unido

Novos surtos de sarampo podem ser uma consequência tardia do impacto de um estudo alarmista, que fez muitos pais não vacinarem seus filhos

Teoria sobre vacinas causarem autismo pode estar ligada a surto de sarampo no Reino Unido
Mais de 800 casos de sarampo foram identificados em Swansea, no País de Gales (Reprodução/Alamy)

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Até recentemente, a maioria dos médicos britânicos nunca tinha visto um caso de sarampo. Junto com outras doenças infantis antigas, como tétano e poliomielite, o sarampo havia praticamente desaparecido do Reino Unido. Nos últimos anos, no entanto, uma série de surtos vêm forçando os médicos a espanarem a poeira de seus manuais de diagnóstico em busca de respostas. O mais recente destes surtos foi descoberto em Swansea, no sul do País de Gales, onde cerca de 800 pessoas estão com sarampo. O número de novos casos vem subindo rapidamente desde novembro.

Os novos focos da doença parecem ser uma consequência tardia de um famoso susto em 1998, que deu lugar ao alarmismo. Naquele ano, uma equipe liderada por Andrew Wakefield, um médico do Hospital Royal Free, em Londres, publicou no Lancet, um jornal médico, um artigo sustentado por uma dúzia de casos clínicos em que sugeria uma ligação entre doenças intestinais, a vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola dada às crianças e o desenvolvimento do autismo. O medo se intensificou no início de 2000, depois que Wakefield publicou dois outros trabalhos que afirmavam encontrar o vírus do sarampo (que faz parte da vacina pediátrica) em crianças que sofriam de autismo e problemas digestivos. A recusa de Tony Blair, o então primeiro-ministro, em dizer se o seu bebê havia recebido a vacina manteve o estudo nas primeiras páginas dos jornais (mais tarde descobriu-se que Leo, o filho de Blair, havia recebido a vacina).

O alarmismo espalhou-se ainda mais graças à imprensa britânica, que não relatava as informações sobre o estudo criticamente ou mencionava o peso das evidências epidemiológicas que não mostravam ligação alguma entre a vacina e o autismo. A proporção de crianças vacinadas pelo menos uma vez (duas vezes fornece a melhor proteção) começou a cair, de quase 90% em 2000 para cerca de 80% em 2004, muito aquém dos 95% que a Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que é necessário para suprimir a doença.

As teorias de Wakefield acabaram sendo desacreditadas, não tanto pelo peso das evidências contrárias a elas, mas pela decisão do Conselho Geral de Medicina de removê-lo de seus registros médicos em 2010, citando irregularidades na conduta de sua pesquisa. Mas o Reino Unido continua a ter um grande número de crianças não vacinadas. Essas crianças, que hoje são adolescentes, estão alimentando o presente surto, dizem epidemiologistas.

Felizmente, as taxas de vacinação já começaram a subir novamente, chegando a 91,2% na Inglaterra e 94,3% no País de Gales em 2012.

 

Fontes:
The Economist - Pox Britannica

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