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Açúcar

Um doce de vício

Estudo revela que açúcar pode ser tão viciante quanto algumas drogas

Um doce de vício
Processos de refinamento similares ao do açúcar transformam plantas como a papoula e a coca em heroína e cocaína, respectivamente (Reprodução/ Internet)

Uma pesquisa recente apontou que o açúcar pode contribuir, até mais que o sal, para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Além disso, evidências indicam que comer muito açúcar pode levar a pessoa ter gordura no fígado, hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade e doença renal.

Entretanto, as pessoas continuam comendo açúcar por uma razão simples, ele é viciante. De acordo com os dados divulgados na última segunda-feira, 22, no New York Times, não é viciante de uma forma como as pessoas costumam falar sobre uma comida deliciosa, mas do mesmo jeito que algumas drogas são capazes de fazer. Afinal, o setor alimentício está fazendo de tudo para deixar os consumidores viciados.

O açúcar era uma rara fonte de energia no ambiente. Há algumas centenas de anos, açúcares concentrados eram essencialmente ausentes da dieta humana, presentes, talvez, apenas em pequenas quantidades no mel silvestre.  Atualmente, o açúcar está em todo lugar. Ele é usado em aproximadamente 75% das comidas embaladas adquiridas nos Estados Unidos. A média de consumo americano é de 113g a 226g de açúcar por dia. O ambiente mudou muito, já que a quantidade de açúcar adicionado em uma única lata de refrigerante pode ser maior do que a maioria das pessoas teria consumido em um ano todo, apenas algumas centenas de anos atrás.

Enquanto fontes naturais de açúcar como frutas e vegetais, geralmente, não são muito concentradas, já que a doçura está misturada com água, fibras e outros componentes, as fontes modernas de açúcar industrial são bem mais potentes de uma forma artificial.

Processos de refinamento similares ao do açúcar transformam plantas como a papoula e a coca em heroína e cocaína, respectivamente. Açúcares refinados também afetam o corpo e o cérebro das pessoas. Um estudo mostrou que se tiverem a escolha, ratos vão preferir açúcar à cocaína em ambientes de laboratório, porque a satisfação é maior e é mais agradável.

Em humanos, a situação não é muito diferente. O açúcar estimula circuitos cerebrais assim como um opioide (compostos relacionados ao ópio) faz. O desejo induzido pelo açúcar é comparável ao de drogas viciantes como cocaína e nicotina. E apesar de outros componentes alimentícios também serem prazerosos, o açúcar pode ser o único no universo dos alimentos que é viciante.

A melhor forma de amenizar essa dependência de açúcar, segundo o veículo, é a partir da promoção de consumo de alimentos naturais e integrais. Substituir misturas industriais doces por alimentos integrais pode ser um desafio para as vendas do setor, mas levando em consideração que esse setor explora a natureza biológica das pessoas para mantê-las viciadas, essa pode ser a melhor solução para aqueles que precisam diminuir o consumo de açúcar.

Fontes:
The New York Times-Sugar Season. It’s Everywhere, and Addictive

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