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Ciência

Veneno de vespa brasileira pode ajudar no combate ao câncer

Peptídeo presente no veneno da vespa Paulistinha consegue combater células cancerígenas sem atingir as saudáveis

Veneno de vespa brasileira pode ajudar no combate ao câncer
Vespa Paulistinha é muito comum na América do Sul, principalmente na Região Sudeste do Brasil (Foto: Wikimedia)

Uma equipe de pesquisadores britânicos e brasileiros descobriram que o veneno da vespa brasileira Polybia Paulista, conhecida como vespa paulistinha, contém uma toxina que pode revolucionar o tratamento de combate ao câncer. A toxina seria capaz de distinguir as células saudáveis e atacar apenas as cancerígenas.

A vespa pertence à família vespidae, e é comum na região sudeste do Brasil. O seu veneno causa uma dor muito forte em quem é picado e tem uma composição muito complexa, o que chama a atenção de cientistas há algum tempo. Durante o estudo, foram descobertas centenas de proteínas e peptídeos, acredita-se que há ainda mais para descobrir.

Um dos compostos presentes no veneno, tem forte ação antibacteriana, permitindo que a vespa mantenha o seu ninho protegido. Esse fato atraiu os pesquisadores, pois poderia ser uma opção à crescente resistência das bactérias aos antibióticos. Em 2008, descobriu-se que esse peptídeo também combatia células de alguns tumores.

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de Leeds (Inglaterra), conseguiram descobrir qual propriedade do peptídeo, batizado de MP1, faz com que o veneno consiga diferenciar as células saudáveis das demais.

“Os peptídios de todos os venenos são geralmente citotóxicos [tóxico às células], mas não o MP1, que tem uma poderosa atividade bactericida. Tanto a ação bactericida quanto a antitumoral estão relacionadas com a capacidade desse peptídio para induzir filtrações nas células ao abrir os poros ou fissuras na membrana da célula”, explica o pesquisador do Instituto de Biociências da Unesp e coautor do estudo, João Ruggiero Neto.

O segredo da identificação das células pela toxina é a estrutura das células, que se modifica quando estão doentes tendo fosfolipídios na parte exterior da membrana e permitindo a ação do peptídeo. Três tipos de membranas foram utilizados durante o estudo e comprovaram a ação do peptídeo quando o fosfolipídio se concentra na parte externa da célula.

Fontes:
El País-O veneno de uma vespa brasileira pode matar as células cancerosas

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