Veja dicas para proteger seu celular de golpes virtuais no carnaval| Agência Brasil
Blocos lotados, turistas distraídos e alto volume de transações fazem do carnaval um dos períodos que exigem mais cuidado com o uso do celular. Mesmo nos casos sem furto ou roubo, o aparelho tornou-se a principal porta de entrada para criminosos acessarem aplicativos bancários e esvaziarem contas em poucos minutos.
Embora a maior parte dos golpes financeiros no carnaval ocorra de forma presencial, como maquininhas adulteradas de cartão, o celular tem se tornado cada vez mais uma porta de entrada para fraudes e golpes durante a folia.
As fraudes não acontecem apenas nos casos de furto ou roubo físico do aparelho. Redes wi-fi falsas e golpes por engenharia social, quando o criminoso manipula emocionalmente a vítima para obter senhas e dados pessoais, resultam em prejuízo, com os estelionatários invadindo os aparelhos.
Acidente entre van e caminhão em Planaltina deixa cinco mortos
Presidente Lula visita a Índia a partir desta quarta-feira (18)
Diretor de Tecnologia (CTO) da empresa Certta, empresa que unifica soluções antifraude em uma única plataforma, José Oliveira explica que eventos de grande porte criam o ambiente ideal para golpes.
“Há quebra de rotina, decisões rápidas e um senso de urgência que inibe a reflexão. É exatamente isso que o fraudador explora”, afirma.
Por que o risco aumenta no carnaval?
Oliveira aponta três fatores principais:
- Alta concentração de pessoas: facilita furtos e camufla criminosos;
- Quebra de rotina: transações fora do padrão dificultam alertas automáticos;
- Decisões emocionais: pressa e distração reduzem a atenção aos detalhes.
Por que o celular é o principal alvo?
Oliveira ressalta que o smartphone concentra aplicativos bancários, carteiras digitais, redes sociais e e-mails, tudo o que o criminoso precisa para acessar a vida financeira da vítima.
PF apura vazamento de dados da Receita de ministros do STF
Carnaval 2026: veja a programação dos blocos de rua do Rio nesta terça
Com o aparelho desbloqueado, ou mesmo com tentativas rápidas de quebra de senha, golpistas podem:
- Transferir valores via Pix;
- Pedir empréstimos;
- Alterar senhas;
- Recuperar acessos usando e-mail ou SMS.
Como proteger o celular antes de sair de casa?
- Ative a biometria facial ou digital nos apps bancários;
- Habilite o “modo seguro” ou “modo rua” do banco (algumas instituições oferecem a opção);
- Desative o pagamento por aproximação se estiver em aglomeração;
- Reduza o limite de Pix temporariamente;
- Saiba como apagar o celular remotamente (Android ou iPhone);
- Evite deixar aplicativos financeiros com altos valores no celular de uso externo.
Principais meios de invasão do celular
Wi-Fi falso em blocos, cafés, shoppings e aeroportos
- Criminosos criam redes abertas com nomes parecidos com os oficiais para interceptar dados.
- Como evitar: prefira usar dados móveis (4G ou 5G) e evite acessar aplicativos bancários em wi-fi público.
Engenharia social
- Mensagens ou ligações com senso de urgência, como “compra suspeita”, “problema no cartão” e “promoção relâmpago”, forçam decisões rápidas.
- Como evitar: faça uma “pausa cognitiva”. Desconfie de urgência artificial e confirme informações apenas em canais oficiais.
Golpes com inteligência artificial
Segundo o diretor de Tecnologia da Certta, a tecnologia reduziu o custo para criminosos aplicarem fraudes sofisticadas. Hoje, já são usados:
- Deepfakes, que imitam voz e imagem;
- Identidades sintéticas, com perfis falsos altamente convincentes.
Ao mesmo tempo, empresas utilizam sistemas de análise de risco que cruzam dados como localização, tipo de aparelho e padrão de comportamento para detectar movimentações suspeitas. No entanto, durante o carnaval, em que o folião quebra hábitos e costuma viajar, a análise é dificultada.
Se o celular for roubado, o que fazer imediatamente
- Bloqueie o aparelho pela operadora ou pelo serviço Celular Seguro;
- Apague os dados remotamente (Google ou Apple);
- Avise o banco e bloqueie contas e cartões;
- Registre boletim de ocorrência;
- Altere senhas de e-mail e redes sociais.
Principal recomendação: desacelerar
A orientação central de José Oliveira é substituir o impulso pela análise.
“Antes de digitar uma senha, clicar em um link ou confirmar um pagamento, pare por alguns segundos”, aconselha.
“Num ambiente de festa e aglomeração, a tecnologia pode ajudar, mas a primeira barreira contra o golpe ainda é o comportamento do próprio usuário.”
