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Alunas transformam obra clássica em produção artística  – IFSP

Projeto é desenvolvido no curso de Administração do Campus Jacareí 

No Campus Jacareí do IFSP, a teoria ganhou roteiro, cenário e câmera ligada. Uma proposta desenvolvida na disciplina de Teoria das Organizações, ministrada pela professora Simone Lisboa no curso de graduação em Administração, transformou a leitura de obras clássicas e contemporâneas da área em produções artísticas. O resultado de um dos grupos foi um minidocumentário que uniu pensamento crítico, criatividade e protagonismo estudantil. 

A ideia surgiu da vontade de tirar os estudantes da posição de espectadores passivos de informação e colocá-los como produtores de conhecimento. “Pensei que nossas alunas e nossos alunos podem e devem ser protagonistas da informação no território onde vivem, dialogando seus saberes de forma ativa e criativa”, explica a professora Simone. 

A proposta é simples e, ao mesmo tempo, desafiadora: cada grupo escolhe, a partir de uma pré-seleção feita pela docente, uma obra literária com temas emergentes na Administração e a transforma em expressão artística. Pode ser vídeo, teatro, maquete, embora os estudantes geralmente optem pelo audiovisual. 

No segundo semestre de 2025, um grupo formado por Melissa Satie Seki, Lívia Aquino, Catarina Verônica Ramos, Poliana Gomes dos Santos e Thais Pereira escolheu a obra “Por um feminismo afro-latino-americano”, da intelectual brasileira Lélia Gonzalez. 

As gravações aconteceram no Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos, e deram origem a um minidocumentário de cinco minutos que relaciona os conceitos da autora com as estruturas organizacionais e os desafios contemporâneos da gestão. 

Segundo a estudante Lívia Aquino, tudo começou logo no início do semestre. “A professora nos propôs um trabalho diferente para compor a nota: ler uma obra literária e explicá-la por meio da expressão artística. Foi desenvolvido ao longo da disciplina, dialogando com as teorias estudadas em sala”, conta. 

Criatividade, autonomia e pensamento crítico 

Todos os alunos da turma, organizados em grupos, participam da atividade . Eles têm autonomia para pesquisar, definir o formato da apresentação e gerenciar o próprio tempo. Ao final, as produções são apresentadas e debatidas coletivamente, ampliando a reflexão sobre os temas abordados. 

“No começo é um choque. Eles pensam: ‘Como vamos fazer isso?’. Mas depois vão estudando, refletindo e tudo flui. E eles se enchem de orgulho”, relata a professora. 

Para Lívia, a metodologia faz diferença no interesse da turma. “Essa abordagem exige criatividade e gera curiosidade. Além disso, incentiva o senso crítico e proporciona debates mais robustos, com perspectivas menos moldadas e mais autênticas.” 

A professora destaca ainda que, em tempos de inteligência artificial e consumo rápido de conteúdo, a atividade exige leitura aprofundada, reflexão, capacidade de síntese e crítica. “É uma formação baseada na ciência, no diálogo e na criatividade.” 

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Administração com consciência social 

A escolha de Lélia Gonzalez dentro de um curso de Administração não foi por acaso. A autora, referência na luta contra o racismo e o sexismo, provoca reflexões sobre desigualdades estruturais e diversidade — temas diretamente relacionados à gestão de pessoas e às dinâmicas organizacionais. 

“Discutir Lélia é entender que a gestão de pessoas e processos não pode ser neutra; ela precisa ser consciente e inclusiva”, avaliam as alunas. 

Para a professora Simone, a leitura de autores socialmente relevantes contribui para a formação de profissionais conectados ao seu tempo. “Esses referenciais estimulam uma postura crítica e permitem que, em sua atuação, possam contribuir para a construção de um país mais justo e menos desigual.” 

Mais do que aprender teorias administrativas, os estudantes são convidados a refletir sobre o papel das organizações na sociedade e sobre si mesmos como agentes de transformação. 

Acesse aqui a obra completa produzida pelas estudantes. 

Inspirar para transformar 

Desenvolvido nesse formato há quatro anos, o projeto mostra como metodologias participativas podem renovar o ensino superior, fortalecer o protagonismo estudantil e integrar competência técnica à responsabilidade social. 

No IFSP Jacareí, a Administração vai além de organogramas e teorias clássicas: ela dialoga com a realidade, provoca debates e forma profissionais capazes de pensar — e transformar — o mundo em que vivem. 

Meu Campus Tem

Veja outros episódios do quadro “O que é que meu campus tem?” aqui. 

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