Empresária perde R$ 140 mil após cair em golpe envolvendo milhas aéreas e falsa gerente de banco

Uma empresária de Barretos, no interior de São Paulo, afirma ter perdido cerca de R$ 140 mil após ser vítima de um sofisticado golpe que começou com uma falsa mensagem sobre expiração de milhas do cartão de crédito. O caso, registrado como estelionato, serve de alerta para consumidores que utilizam programas de fidelidade e acumulam pontos para viagens.

Tudo começou com uma mensagem sobre milhas

A empresária Franciele Gomes planejava utilizar as milhas acumuladas em seu cartão de crédito para emitir passagens aéreas. Na sexta-feira (15), ela recebeu uma mensagem de texto informando que 89 mil pontos expirariam naquele mesmo dia.

Segundo o comunicado, seria necessário acessar um link para evitar a perda do saldo. Ao clicar, Franciele foi direcionada para uma página que solicitava apenas o CPF. Sem perceber qualquer irregularidade, ela preencheu os dados solicitados.

O que parecia ser uma simples atualização de cadastro acabou se tornando a porta de entrada para uma das fraudes mais elaboradas que ela já enfrentou.

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Falso funcionário entrou em contato

No dia seguinte, um homem que se identificou como funcionário do banco ligou para a empresária afirmando que haviam sido detectados dois Pix agendados, nos valores de R$ 100 mil e R$ 40 mil.

Ao negar ter realizado as operações, Franciele foi informada de que uma gerente geral da instituição bancaria entraria em contato para ajudá-la a cancelar as transações e impedir o golpe.

Pouco tempo depois, a suposta gerente ligou para a vítima.

Contatos salvos aumentaram a sensação de confiança

Um dos fatores que mais chamou a atenção da empresária foi que o número da falsa gerente aparecia salvo em sua agenda telefônica com o nome da profissional.

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Esse detalhe fez com que ela acreditasse estar realmente falando com representantes do banco.

Segundo especialistas em segurança digital, quadrilhas especializadas conseguem invadir aparelhos celulares, alterar contatos e utilizar técnicas avançadas de engenharia social para aumentar a credibilidade das abordagens.

Compartilhamento de tela abriu caminho para os criminosos

Durante a ligação, a falsa gerente orientou Franciele a compartilhar a tela do celular para que ela pudesse supostamente auxiliar no cancelamento dos Pix.

A empresária relata que recebeu diversas orientações relacionadas a investimentos, cartões e procedimentos bancários. Como vários aplicativos já estavam bloqueados ou apresentavam comportamento estranho, ela acreditou que tudo fazia parte do processo de proteção da conta.

Os criminosos chegaram a enviar um falso boletim de ocorrência e utilizaram códigos relacionados ao Gov.br para reforçar a aparência de legitimidade da operação.

Durante aproximadamente duas horas, Franciele permaneceu em contato com os golpistas acreditando estar protegendo seu patrimônio.

Na prática, porém, estava autorizando e facilitando a ação dos criminosos.

Prejuízo chegou a R$ 140 mil

Ao final da ação, os golpistas conseguiram transferir aproximadamente R$ 140 mil da conta da empresária.

Além disso, eles também acessaram o limite disponível em outra instituição financeira, causando um prejuízo adicional de cerca de R$ 15 mil.

A fraude só foi descoberta quando uma amiga insistiu para que Franciele entrasse em contato diretamente com o gerente verdadeiro da agência onde possui conta.

Foi nesse momento que ela recebeu a orientação para desligar imediatamente a ligação e procurar a polícia.

Alerta para quem utiliza programas de milhas

O caso acende um alerta para usuários de programas de fidelidade, já que mensagens sobre expiração de pontos e promoções de milhas são frequentemente utilizadas por criminosos para capturar dados pessoais.

Especialistas recomendam:

  • Nunca clicar em links recebidos por SMS ou aplicativos de mensagens sem verificar a origem;
  • Consultar diretamente o aplicativo oficial do banco ou programa de fidelidade;
  • Nunca compartilhar a tela do celular com desconhecidos;
  • Desconfiar de contatos que solicitam códigos de autenticação;
  • Confirmar qualquer informação por meio dos canais oficiais da instituição financeira.

Empresária decidiu expor o caso

Apesar do constrangimento, Franciele optou por tornar pública sua história para evitar que outras pessoas sejam vítimas da mesma fraude.

Segundo ela, o valor perdido representa aproximadamente dez anos de trabalho no ramo de vendas de roupas.

O caso segue sob investigação e reforça a importância de redobrar a atenção diante de mensagens relacionadas a milhas, pontos de cartão e supostas tentativas de proteção bancária.

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