A Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria de Educação e Cultura (Sedec), desenvolve na Escola Municipal Antônio Santos Coelho Neto, no bairro da Penha, uma experiência que aproxima educação, cultura, território e ancestralidade. Estudantes dos Ciclos II, III e IV da Educação de Jovens e Adultos (EJA) participam do projeto “A Experiência da EJA com a Cerâmica: o Barro Carregado pelas Águas”, que utiliza a argila como instrumento de aprendizagem, expressão artística e valorização dos saberes tradicionais da comunidade.
A iniciativa integra o projeto interdisciplinar “Ancestralidade, Ecologia e o Mar” e faz parte do Plano Pedagógico Semestral da EJA da unidade de ensino. A proposta reúne diferentes áreas do conhecimento, como Matemática, História, Arte, Geografia, Ciências e Língua Portuguesa, promovendo uma abordagem que relaciona os conteúdos escolares às experiências, à cultura e ao território dos estudantes.
A ação conta com o acompanhamento da Coordenação da EJA, que atua na articulação pedagógica do projeto e na integração entre as diferentes áreas do conhecimento, contribuindo para que a experiência esteja alinhada ao planejamento da modalidade e às características socioculturais da comunidade escolar.
A coordenadora da EJA, Ângela Varela, destacou a importância do projeto e o trabalho desenvolvido para viabilizar a iniciativa na escola. “Trazer esse projeto para a escola foi muito gratificante. Desde o início, buscamos construir uma proposta que envolvesse também a formação dos professores, da qual eu participei, para que pudéssemos vivenciar essa experiência e levá-la aos nossos estudantes”, destacou.
“A partir dessa articulação, tivemos a oportunidade de contar com os artistas e professores Ilson Moraes e Jeorge Paiva, que acolheram a proposta e se disponibilizaram a desenvolver a oficina de cerâmica conosco. Considerando que a Comunidade da Penha é reconhecida como quilombola, o projeto ganha ainda mais significado ao valorizar a ancestralidade, a identidade, a cultura e os saberes do território. Espero que essa iniciativa tenha continuidade e gere muitos frutos, porque acredito que a EJA também se fortalece quando a escola promove experiências que aproximam educação, cultura e comunidade”, ressaltou.
O professor Ilson Moraes, autor e idealizador do projeto, participa diretamente da execução do projeto na escola no processo de ensino e do manuseio da argila, passando pelos processos de aprendizagem e às vivências dos estudantes. Também integra a iniciativa o professor Jeorge Paiva, como idealizador e professor, atuando nas áreas de História e Ensino Religioso, contribuindo para a reflexão sobre ancestralidade, memória, identidade e os saberes construídos pela comunidade ao longo das gerações.
“A participação dos professores ganha especial relevância diante da identidade histórica e cultural da Penha, reconhecida como comunidade quilombola, o que amplia a importância de trabalhar, no espaço escolar, as memórias, tradições, territorialidades e formas de resistência que constituem a história da população local. Nesse contexto, o projeto busca valorizar os conhecimentos da própria comunidade, estabelecendo uma relação entre o currículo escolar e os saberes que fazem parte da vida dos estudantes”, explicou o professor Ilson Moraes.
Para o professor, o trabalho com a cerâmica possibilita aproximar os conteúdos escolares das experiências e memórias dos alunos, reconhecendo os conhecimentos que cada um traz de sua trajetória. “Em uma comunidade quilombola, essa conexão ganha ainda mais significado, pois relaciona a aprendizagem à cultura, ao território e aos saberes tradicionais da Penha”, destacou.
Atualmente, os estudantes estão na etapa de familiarização com a argila e os instrumentos de modelagem, além da produção das primeiras peças. Nas atividades, experimentam técnicas como modelagem manual, acordelado e construção de placas, desenvolvendo criatividade, percepção, coordenação motora e diferentes formas de expressão.
De acordo com o cronograma, a oficina de cerâmica segue até o mês de dezembro. Como parte do cronograma, está prevista uma exposição das peças produzidas pelos alunos, possibilitando compartilhar com a comunidade escolar os resultados do trabalho desenvolvido.
“Nosso trabalho se prepõe a fortalecer os vínculos entre escola, estudantes e comunidade. Mais do que aprender técnicas de produção de cerâmica, a experiência possibilita aos estudantes da EJA reconhecer e valorizar os saberes que atravessam gerações. Nesse processo, o barro se transforma em linguagem de memória, identidade, cultura e pertencimento, reafirmando a escola como espaço de aprendizagem e valorização da ancestralidade”, reforçou o professor Jeorge Paiva.
A professora de Arte da Escola Antônio Santos Coelho Neto, na Penha, Tatiana Domingos, participou do processo de qualificação dos professores. “Eu sou professora de Arte, mas minha especialidade é dança e participar dessas oficinas de cerâmica tem sido incrível porque estou aprendendo outras técnicas e me qualificando ainda mais. E agora estamos nessa etapa de passar o conhecimento adquirido para os alunos e está sendo muito bom. Os alunos estão se desenvolvendo, criando suas peças de várias formas, usando e abusando da criatividade. Que venham outros projetos como este para nossa escola”, destacou.
A estudante Virgínia Rodrigues revelou que ama todo o processo de criação, como de ver a peça pronta. “Eu gostei muito desse projeto e aprendi muito com os professores. É muito gratificante aprender coisas, que eu não sabia antes e nem imaginava que pudesse fazer. Estou muito alegre e feliz com esse projeto. Espero que continue acontecendo sempre na escola”, destacou. “Foi gratificante, já fiz várias peças, entre elas uma bolsa e uma tartaruga”, celebrou a estudante.
O estudante Marlon dos Santos Morais reproduziu sua própria mão. “Tem sido muito gratificante participar das oficinas de cerâmica. Agradeço a escola e aos professores por proporcionarem essas aulas e estou muito feliz também por produzir minha peça de cerâmica que é a minha própria mão, minha marca registrada. Seria bom que esse projeto continuasse e que outras escolas pudessem ter aulas de cerâmica, para que muito mais pessoas tivessem essa emoção que eu estou sentindo que é poder fazer sua própria arte”, pontuou o aluno.

