Meteorologista da Defesa Civil explica que o encontro de ar quente e frio favorece vendavais, granizo e tornados, e que o El Niño deve reforçar o volume de chuva na estação. Foto: Eduardo Valente/GOVSC
Conhecida como a estação das flores, a primavera colore Santa Catarina, mas também acende um alerta. O mesmo vento que espalha o pólen e faz da estação a mais florida do ano, quando ganha força, pode provocar ocorrências no estado. A primavera começou nesta terça-feira (22), às 21h05, e ganhou um olhar atento da Defesa Civil estadual.
“Sabe por que a primavera é a mais florida? Não é só porque vem de um período mais frio e seco e as flores desabrocham. É também porque, como tem mais vento, há mais distribuição de pólen”, explica a meteorologista da Defesa Civil, Francine Sacco.
O vento é resultado da transição entre o período frio e o mais quente do ano. Segundo a meteorologista, a chegada de massas de ar frio a um ambiente que começa a esquentar cria uma diferença de temperatura e consequentemente de pressão entre as duas condições, chamada de gradiente. É esse contraste que intensifica o vento. Frentes frias e ciclones continuam atuando, mas agora encontram mais calor disponível na atmosfera.
“A primavera tem um aumento significativo da ocorrência de temporais com granizo e ventos fortes, porque as nuvens se desenvolvem mais com maior calor disponível”, explica Francine.
O resultado aparece nos números. Setembro é o mês com mais registros de vendavais ao longo do ano, seguido por outubro. Julho concentra o menor número de ocorrências.
O contraste de temperatura maior também aumenta a possibilidade de tornados e outros eventos associados. No verão, o cenário muda e as ocorrências mais comuns passam a ser as chamadas bombas d’água, que são chuvas muito intensas em curto intervalo de tempo.
O que esperar da primavera 2026?
O El Niño, fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico e altera a circulação da atmosfera, deve reforçar as características da primavera em Santa Catarina. A estação é um dos períodos mais chuvosos do estado e, com a influência do fenômeno, o volume de chuva deve ser ainda maior. Para a meteorologista da Defesa Civil, Francine Sacco, esse é mais um fator favorável a temporais intensos e com granizo.
Os efeitos, entretanto, começaram a ser percebidos antes da data oficial. Segundo Francine, a atmosfera costuma dar sinais da nova estação com antecedência, o que acontece todos os anos e não depende só do El Niño. “A gente sempre nota que o clima se modifica um pouquinho antes dos solstícios e dos equinócios”, afirma.
Equinócio ocorre quando os raios solares incidem diretamente sobre a Linha do Equador e iluminam os dois hemisférios de forma igual. Por isso, dia e noite têm a mesma duração, de 12 horas cada. O fenômeno marca o início da primavera e do outono. Depois disso, os dias ficam maiores e as noites menores, até o dia mais longo do ano, que ocorre no começo do verão, em 21 de dezembro, que é o solstício.
Na primavera, a transição das temperaturas lembra a do outono, com tardes mais quentes e noites e madrugadas ainda frias. Com o El Niño, as temperaturas passam a subir mais rápido e o que muda, principalmente, são as mínimas. “Não se trata de calor extremo durante o dia, mas de noites menos frias, porque o céu mais nublado e a atmosfera mais úmida dificultam a queda da temperatura”, explica a meteorologista.
Neste ano, o que mais preocupa é a repetição dos eventos em intervalos cada vez menores de tempo seco. Com o solo já úmido e sem tempo suficiente para escoar a água da chuva, cresce a possibilidade de impactos maiores, principalmente na hidrologia, com enxurradas e inundações, e na geologia, com deslizamentos de terra. Por isso, a Defesa Civil de Santa Catarina segue acompanhando as condições meteorológicas ao longo de toda a estação e emitindo alertas sempre que há risco à população.
Orientações da Defesa Civil para cada cenário
Chuva intensa e alagamentos
Nunca atravesse uma área alagada, seja a pé, de carro, moto ou outro veículo. A água pode esconder buracos, bueiros abertos e trechos danificados da via, e a correnteza pode ganhar força rapidamente e arrastar pessoas e veículos. O risco é ainda maior em pontes e pontilhões submersos, mesmo quando a lâmina de água parece baixa. Se a via estiver tomada pela água, procure um local seguro e aguarde a situação normalizar.
Raios
Assim que o temporal se aproximar, busque abrigo em uma construção fechada ou em um veículo com teto rígido. Evite áreas abertas, como campos e quadras, e mantenha distância de árvores isoladas, postes, estruturas metálicas e corpos d’água. Dentro de casa, afaste-se de janelas e evite contato com tomadas, aparelhos eletrônicos ligados na energia e encanamentos.
Vendaval
Antes da chegada do temporal, retire objetos que possam cair ou ser levados pelo vento. Quando ele se aproximar, fique longe de janelas, árvores, placas e estruturas metálicas, que podem ceder com as rajadas.
Granizo
Durante a queda de granizo, permaneça em local coberto e afastado de vidraças. Quem estiver dirigindo deve procurar um abrigo e, se não for possível, parar em local seguro, longe de árvores, até o temporal passar.
Tornado
Procure um cômodo interno, longe das janelas, de preferência no andar mais baixo da construção, e proteja a cabeça com travesseiro, cobertor ou colchão. O banheiro pode ser uma opção segura por costumar ser um cômodo interno, mas, se tiver box de vidro, prefira outro ambiente, longe de janelas e vidros. Na escola, evite ginásios e espaços grandes; prefira salas internas ou banheiros, também longe das janelas. Na rua, procure um prédio ou comércio para se abrigar, mantendo distância de árvores, postes e estruturas metálicas. No carro, busque um abrigo e, se não for possível, permaneça com o cinto de segurança afivelado e proteja a cabeça. Depois que o tornado passar, evite fios caídos, não se aproxime de construções danificadas e siga as orientações dos órgãos oficiais.
Áreas de encosta
Com o solo mais úmido pela chuva acima do habitual, fique atento a sinais de movimentação do terreno: rachaduras ou fendas no solo, rachaduras em paredes e muros, muros ou paredes estufados, árvores e postes inclinados, movimentação de terra ou rochas e o surgimento ou aumento de vazamentos e áreas de umidade. Ao notar qualquer um desses sinais, afaste-se da área de risco e acione a Defesa Civil pelo telefone 199, sem esperar que o deslizamento aconteça para buscar ajuda.
Saiba como receber alerta da Defesa Civil
- Canal oficial no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VagXA5V3GJP04QTwmx0j
- SMS: envie o CEP para 40199
- WhatsApp: envie o CEP para (61) 2034-4611
- Site: acesse www.defesacivil.sc.gov.br
- Defesa Civil Alerta: sistema de alerta crítico por Cell Broadcast, envia mensagens diretamente aos celulares que estão em uma área de risco. Diferentemente do SMS, não é necessário fazer cadastro para receber esse tipo de alerta.
- Emergências: telefone 199
Informações adicionais para a imprensa:
Texto: Clara Spessatto
Assessoria de Comunicação – Ascom
Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina – SDC/SC
E-mail: ascom@defesacivil.sc.gov.br

