Tenda do Cordel começa neste sábado com poesia e interação no Parque Solon de Lucena

A Prefeitura de João Pessoa, por meio da sua Fundação Cultural (Funjope), realiza, durante três dias, a Tenda do Cordel, ação que integra a programação da Festa das Neves, no Parque Solon de Lucena. As atividades na Tenda do Cordel começam neste sábado (1º) e seguem no domingo (2) e segunda-feira (3), sempre a partir das 16h, com declamações, música e interação com o público.

“É muito importante para nossa equipe da Funjope a realização dessa nova edição da mostra de literatura de cordel. Nós temos estimulado e acolhido o projeto há cinco anos e realizamos sucessivos encontros de cordelistas, não apenas de João Pessoa, mas de outros municípios paraibanos, sempre combinando cordel com artesanato, com música de forró, com repentistas. E agora vamos dar continuidade a esse projeto na Festa das Neves”, declarou o diretor executivo da Funjope, Marcus Alves.

Ano passado, conforme lembrou o diretor, a experiência com o cordel foi bem sucedida na Festa das Neves, que é uma festa de perfil popular, e destacou que a literatura de cordel se integra muito bem a esse perfil.

“Agradeço muito a todos os cordelistas que aceitaram nosso convite, a Robson Jampa e toda equipe que está à frente desse processo, a Josafá de Orós que vem de Campina Grande, ao Eduardo Nask que vem de Itabaiana, à Lúcia Freitas que vem de Sapé e aos cordelistas aqui de João Pessoa que se uniram em torno desse projeto de valorização da literatura popular de cordel”, observou.

Marcus Alves frisou ainda que este é um trabalho da Funjope, estimulado pelo prefeito Leo Bezerra, que sempre pede para que a Fundação valorize o máximo possível a multiplicidade das culturas de João Pessoa. “Na Festa das Neves, nós temos um exemplo disso, com culturas populares, literatura de cordel, música de estilos variados. É uma festa repleta de diversidades”, acrescentou.

No primeiro dia, se apresentam os cordelistas Robson Jampa e Mané Gostoso, além do xilogravurista Josafá de Orós, que reside em Campina Grande e é um artista reconhecido internacionalmente.

A cordelista Claudeth Gomes afirmou que este espaço vem sempre inovando e trazendo a participação de outros poetas, cordelistas e xilogravuristas a cada edição. “Este ano, na Festa das Neves, não será diferente. Nós conseguimos elencar um grupo de poetas, mulheres e homens, para abrilhantar. Vamos ter declamações, músicas ao vivo, tudo em torno do cordel”, pontuou.

Também haverá venda de cordéis, xilogravuras, camisetas e todo artesanato produzido pela cadeia produtiva do cordel e das poéticas orais. A grande novidade desta edição, conforme Claudeth Gomes, é a participação do Eduardo Nask, que vai levar ao Parque Solon de Lucena o grupo cultural que ele representa – a Gambiarra Poética, de Itabaiana. “Estamos sempre trazendo um elenco novo para que a população possa conhecer um pouco mais do nosso trabalho e dos nossos artistas”, reforçou ela.

Sábado – O cordelista Robson Jampa se apresenta neste sábado e afirmou que, apesar de não ser estreante, a expectativa é grande por, mais uma vez, ter a oportunidade de mostrar seu trabalho do cordel e dos demais cordelistas na programação da Festa das Neves.

“É de extrema importância para a valorização cultural da nossa arte do cordel, pois dá oportunidade de comercializar nossos livretos, mostrar nosso talento ao fazer as apresentações poéticas e manter essa tradição viva”, ressaltou.

Leonardo Leal, mais conhecido como Mané Gostoso, também afirmou que sua expectativa é muito boa. Ele já se apresentou em outras edições e afirmou que, a cada ano, o evento tem se tornado melhor e que a parceria com a Funjope tem valorizado e garantido cada vez mais visualização e preservação dessa arte.

“A cada ano, temos firmado cada vez mais nosso espaço, muitas vezes reencontrando pessoas que levam nosso trabalho, apresentando aos turistas. Ficamos muito felizes em poder fazer parte da programação levando algo que verdadeiramente é de nossa terra”, pontuou.

De Campina Grande, o xilogravurista Josafá de Orós também está na programação deste sábado. “Eu acho que essa iniciativa da Funjope é maravilhosa, no sentido de valorizar esse potencial que tem a xilogravura, o cordel, principalmente depois que se tornaram patrimônio imaterial da cultura brasileira. Cada lugar, cada fundação, cada município, cada estado, cada escola, cada pessoa, cada poeta tem que fazer essa literatura aparecer como elemento estruturante da cultura nordestina. E a Funjope, com essa iniciativa, sai na frente”, observou.

Para ele, a Tenda do Cordel revela a possibilidade da continuidade do evento. “A cada Festa das Neves você já saber que vai ter a exposição, o sarau, a música, tudo absolutamente vinculado ao cordel, é uma coisa maravilhosa, um esforço prático na valorização da expressão mais importante da literatura nordestina, e a continuidade é fundamental no esforço da formação”.

Sua contribuição vai ser no sentido de mostrar a necessidade de, em cada sarau, trazer à tona os poetas e as obras clássicas do cordel brasileiro. Nessa apresentação, ele vai levar o trabalho de Zé Pacheco, Leandro Gomes de Barros e um cordel autoral. A ideia, conforme Josafá de Orós, é levar os clássicos para não perder de vista a necessidade de se reportar a eles como elementos de base formadores da poesia e dos poetas.

Confira a programação

Sábado (1º)

Robson Jampa – cordelista

Mané Gostoso – cordelista

Josafá de Orós – xilogravurista

Domingo (2)

Claudeth Gomes – cordelista

Eduardo Nask e Gambiarra Poética – cordelista

Segunda-feira (3)

Francisco de Assis – cordelista

Lúcia Freitas – poetisa (Sapé).