PTS e Inova lançam plataforma nacional de IA durante premiação do Desafio Brasileiro na Futurecom – Agência de Notícias



8 de outubro de 2026

18:16

Por: Secom

Fotos: Divulgação/PTS

Plataforma digital viabiliza matchmaking entre gargalos produtivos e tecnologias de ponta desenvolvidas por solucionadores de todo o país; iniciativa consolida a etapa de premiação do Desafio Brasileiro de IA e projeta investimentos diretos no setor

Uma nova ferramenta promete acelerar a transformação digital e aumentar a produtividade no setor fabril brasileiro. A Agência de Desenvolvimento e Inovação Brasileira (Agência Inova), em parceria com o Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS), lançou oficialmente a sua plataforma digital denominada Hub de IA (desafiobrasileirodeia.com.br). Ela foi apresentada durante o Futurecom 2026, no São Paulo Expo, em São Paulo, nesta terça-feira (6), e encerrou a principal etapa do Desafio Brasileiro de Inteligência Artificial (DB-IA), quando foi feita a entrega de prêmios para os vencedores da iniciativa realizada pela Agência Inova e o PTS, em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A plataforma funciona como um ecossistema contínuo de aceleração e matchmaking. De um lado, as indústrias registram seus gargalos operacionais e desafios de processo; de outro, empresas de tecnologia e startups cadastram suas especialidades em IA. Por meio de algoritmos de combinação, o sistema identifica as maiores probabilidades de convergência entre as demandas das fábricas e as tecnologias disponíveis, independentemente da localização geográfica. O objetivo é desmistificar o uso da IA e democratizar o acesso à modernização fabril.

Diagnóstico realista do parque fabril nacional

A Hub de IA e o DB-IA são resultado de uma aliança estratégica entre a Agência Inova, o PTS, a ABDI e o MDIC. Essa união conecta a expertise regional de Sorocaba — polo de referência em automação e tecnologia industrial — a uma política pública de caráter nacional direcionada ao ganho de produtividade e ao fortalecimento da competitividade do País.

O diretor-executivo da Agência Inova, André Santos, detalha a mecânica do portal e a continuidade do programa, reforçando que a plataforma atua como uma ponte inteligente entre quem precisa de tecnologia e quem a desenvolve, garantindo resultados concretos. “O Desafio Brasileiro de IA não para na entrega do prêmio, avança para a implementação no chão de fábrica e na difusão da tecnologia. A plataforma é uma grande vitrine na qual a indústria coloca as suas dores e o solucionador, as suas competências. O algoritmo faz o matchmaking para conectar quem precisa de novas soluções com quem sabe resolver, independentemente da região onde está situado. É o canal feito para apoiar a indústria brasileira e acelerar a Indústria 4.0, abrindo, inclusive, caminho para iniciarmos uma Indústria 5.0, de forma mais rápida, no Brasil”, ele avalia.

Portanto, o lançamento da plataforma é o desdobramento prático da estrutura desenvolvida no âmbito do DB-IA. O programa nasceu para enfrentar um problema estrutural: apoiar a transição para a Indústria 4.0 em médias e pequenas empresas, que frequentemente esbarram em altos custos, falta de diagnóstico e complexidade de implementação.

A mobilização da primeira edição do DB-IA registrou números expressivos, como alcance nacional, com inscrições originadas em 25 estados brasileiros; participação expressiva do setor, tendo mais de 280 inscritos, com o envolvimento direto de mais de 60 indústrias que colaboraram no mapeamento de demandas reais; e a seleção e premiação de projetos finalistas, com um aporte de R$ 50 mil destinados a cada um, somando até R$ 1,5 milhão em incentivo direto.

A cerimônia no Futurecom marcou o encerramento da etapa de seleção e premiação dos representantes das indústrias participantes do DB-IA, que reuniu centenas de pessoas no evento e no estande da ABDI, e o início da aplicação prática no chão de fábrica. Entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027, as indústrias e os solucionadores selecionados receberão suporte técnico com mentorias individuais e coletivas, workshops e acompanhamento especializado para a realização dos testes piloto e a efetiva implantação das tecnologias.

Soluções customizadas para a cultura de inovação

Ao contextualizar o impacto dessa metodologia nas operações diárias, o presidente da ABDI, Olavo Nolato, destaca que o ganho de produtividade passa necessariamente pela adaptação das tecnologias às particularidades de cada empresa. Para ele, a inteligência artificial deve atuar como um meio direto para fortalecer a competitividade, sem fórmulas engessadas. “A indústria brasileira tem o desafio de se modernizar, ganhar tração e aumentar a produtividade. As novas tecnologias estão aí a serviço disso. Não existe fórmula pronta: cada empresa tem o seu modo de operação, o seu tipo de demanda e o seu gargalo. Customizar as soluções é fundamental, e a parceria com o Parque Tecnológico e a Inova fortalece essa cultura da inovação a serviço da competitividade”, destaca.

Para o presidente do PTS, Nelson Cancellara, a iniciativa responde a uma urgência histórica da economia nacional. Ao avaliar o cenário fabril, ele reforça a necessidade de oferecer suporte prático às pequenas e médias empresas, que representam a maior fatia do setor no País e enfrentam grandes desafios de produtividade. “Quando começamos a desenhar esse projeto de IA, pensamos na nossa região, mas percebemos rápido que a dor de Sorocaba é a dor do Brasil inteiro. A grande maioria do nosso parque fabril é composta por pequenas e médias empresas que precisam de ferramentas para se tornarem eficientes. Há 20 anos a indústria representava mais de 20% do PIB brasileiro; hoje está entre 9% e 10%. Precisamos fortalecer o setor novamente, e a plataforma traz o diagnóstico e o caminho para que a empresa saiba onde está e como pode evoluir.”

Próximos passos

Com a plataforma no ar e o início da fase de mentorias e pilotos dos projetos selecionados, a expectativa dos criadores da Hub de IA é consolidar esses casos como modelos replicáveis para diversos segmentos industriais. O movimento projeta ainda novas chamadas e edições do desafio no curto prazo, ampliando continuamente a rede de conexões entre a demanda fabril e a inovação tecnológica no Brasil.