Exposição ‘Mar Vermelho’ retrata harmonia e desequilíbrios encontrados na Ponta do Seixas
A Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes recebe, a partir deste sábado (31), a exposição ‘Mar Vermelho’, da artista visual Cristina Strapação. A exposição reúne pinturas em óleo sobre tela, um documentário, uma projeção de fotografias e uma instalação montada com objetos encontrados na orla marítima de João Pessoa.
Moradora da Ponta do Seixas há mais de vinte anos, a artista acorda de frente para o mar, sempre apreciando diariamente a paisagem, inspiração para sua pintura. Esse mesmo olhar que se demora no movimento das ondas e na transparência da água passou a reparar que a maré devolve à areia garrafas, embalagens, cordas, pneus, pedaços de barco. Dessa convivência nasceu ‘Mar Vermelho’. Em vez dos verdes, azuis e brancos do mar, parte das telas ganha tonalidades em carmim e vermelho, como se a água sangrasse pelas feridas abertas pela ação humana.
O documentário registra a situação ambiental das praias da Ponta do Seixas e da Penha e traz depoimentos de pessoas que lidam de perto com a questão. A projeção de fotos mostra o lixo e os resíduos acumulados nesses trechos do litoral. Já a instalação é formada por materiais coletados durante uma ação de limpeza realizada em parceria com o Espaço Oceano, o InPact, a Associação Guajiru, o Movimento Esgotei e moradores da região.
“O mundo que a gente quer, depende do que a gente faz”, resume a artista. Para Cristina, a arte nasce da necessidade de observar o meio em que vivemos e comunicar o que se vê e se sente nele, regularizando sua harmonia e também seus desequilíbrios. É nesse ponto que ‘Mar Vermelho’ se aproxima da arte ambiental, vertente que retrata a natureza em plena crise e faz dessa crise o próprio tema da obra. A proposta é provocar no público uma reflexão sobre consumo, descarte e a relação cotidiana que mantemos com o mar.
O trabalho de Cristina parte sempre da observação. Ela caminha pela praia, fotografa, seleciona imagens, faz esboços e só então vai para a tela, onde aplica camadas finas e transparentes de tinta, sobrepostas pacientemente até obter o efeito desejado. Uma pintura única pode levar meses para ficar pronta. Em ‘Mar Vermelho’, esse processo se tensiona, já que as obras ficam entre a paisagem ideal que a artista pinta e a paisagem real que ela encontra ao sair de casa.
A equipe conta ainda com Leandro Ribeiro na produção de fotografia e audiovisual, Jorge Bweres na expografia e iluminação, Ilson Moraes na curaria e Catarina Strapação na produção executiva. A exposição é patrocinada pelo Programa Nacional Aldir Blanc, por meio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).
Oficinas – O projeto não se encerra nas paredes da galeria. Estão previstas oficinas para alunos da Rede Municipal de Ensino, conduzidas por Gabriel Silva, e uma mesa-redonda para discutir a situação ambiental do litoral e direcionar caminhos de ação.
A artista – Nascida em Curitiba, em 1959, Cristina Strapação cresceu num ambiente quase rural, entre a horta da mãe, os ninhos de passarinho e a argila que recolha no riacho para modelar pequenos objetos.
Formou-se em Serviço Social, mas acabou se dedicando exclusivamente às artes visuais, com estudos de desenho e pintura em Curitiba e formação em restauração, anatomia e vitral em Barcelona. Desde que mudou para João Pessoa, em 2003, o mar se tornou seu principal tema de pesquisa.
Ao longo da carreira, expôs no Paraná, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e em São Paulo, além de Itália, França, Portugal e Espanha. Entre os reconhecimentos que recebeu estão a premiação do SESC Paraíba (2025); o prêmio em pintura do Edital André Rebouças, da Fundação Palmares (2022); e os prêmios Hermano José (2021) e Amelinha Theorga (2020), da Secretaria de Cultura da Paraíba.
Serviço
Exposição Mar Vermelho – de Cristina Strapação
Quando: sábado (31), às 16h
Local: Estação Cabo Branco
Entrada: gratuita
Instagram: @cristina.strapacao
Patrocínio: Programa Nacional Aldir Blanc/ Funjope
